As cooperativas agropecuárias movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025 e passaram a atuar em diferentes etapas do agronegócio, da compra de insumos à exportação de alimentos processados. O setor reúne 1,13 milhão de cooperados em 1.254 cooperativas, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, do Sistema Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).
O valor cresceu 11,2% em relação ao ano anterior. O ramo agropecuário respondeu por 57,4% dos ingressos de todo o cooperativismo brasileiro. A expansão ocorre enquanto os pedidos de recuperação judicial no agronegócio subiram 56,4% em um ano, conforme a Serasa Experian.
Da produção à industrialização
A estrutura cooperativista permite reunir produtores, dividir riscos, ampliar a escala, facilitar o acesso a crédito e armazenar a produção. Também possibilita obter receitas em atividades como processamento, industrialização e comercialização, em vez de depender apenas da venda de commodities.
As cooperativas representam cerca de 15% do PIB do agronegócio brasileiro, que somou R$ 3,2 trilhões em 2025, equivalente a 25,13% da economia do país. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Considerando o Valor Bruto da Produção (VBP), a participação chega a 33% da agropecuária nacional.
No campo, as cooperativas respondem por 53% da produção brasileira de grãos e fibras e por cerca de 80% da carne suína. Entre as cooperativas agropecuárias, 48,7% trabalham com produtos vegetais não industrializados; 45,1% fornecem insumos e bens; 36,2% produzem itens vegetais industrializados; e 29,1% atuam com produtos de origem animal industrializados. Uma mesma cooperativa pode estar em mais de uma atividade.
Para Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, o modelo coletivo facilita o acesso a insumos, assistência técnica, tecnologia, armazenagem, industrialização e mercados. Segundo ela, a estrutura aumenta a competitividade dos produtores e cria oportunidades para as comunidades.
O exemplo da Lar
A trajetória da Lar Cooperativa Agroindustrial mostra a mudança de escala. A organização começou com pequenos agricultores produtores de grãos e depois passou a esmagar soja, fabricar farelo e óleo e usar essas matérias-primas na produção de rações. Em seguida, entrou nas cadeias de frango, suínos, leite e ovos, formando um parque industrial próprio.
Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente da Lar, afirma que a industrialização acrescenta conhecimento, mão de obra, embalagem, energia e logística aos produtos. A cooperativa exporta atualmente para 103 países, com mercadorias destinadas a 168 portos no mundo.
O Paraná, estado onde fica a sede da Lar, registrou 82 cooperativas, 240,2 mil cooperados, 118 mil empregados e R$ 169,13 bilhões movimentados em 2025, de acordo com o Sistema OCB.
Tecnologia e rastreabilidade
A concentração de informações de milhares de propriedades também favorece o uso de tecnologia. Um dos caminhos é a rastreabilidade, exigida por mercados que querem dados sobre a origem dos alimentos, as condições de produção e o cumprimento de normas ambientais.
Ricardo Huffel, executivo de vendas e especialista em inteligência geoespacial para o agronegócio da Geoambiente, avalia que a força das cooperativas não se resume ao poder de negociação. Para ele, o setor combina produtividade, sustentabilidade e tecnologia.
Huffel também afirma que a comprovação de origem pode abrir espaço em mercados dispostos a pagar mais por uma tonelada de grão. Para o especialista, a sustentabilidade passou a funcionar como diferencial comercial.
Na avaliação de Rodrigues, as cooperativas estão preparadas para atender exigências de certificação e rastreabilidade e para manter pequenos e médios produtores competitivos nos próximos anos.








