Flávio Augusto transformou uma aposta de R$ 20 mil no cheque especial em uma trajetória empresarial que passou pela criação da Wise Up, pela compra de um clube de futebol nos Estados Unidos e pela formação do grupo educacional Wiser.
Aos 13 anos, começou a se preparar para o Colégio Naval, mas foi expulso depois de dois anos. Em seguida, ingressou em Ciência da Computação na Universidade Federal Fluminense, sem concluir o curso. As vendas, iniciadas como uma forma temporária de ganhar dinheiro, tornaram-se sua principal atividade. Aos 23 anos, já ocupava a diretoria comercial de uma empresa do setor de idiomas, quando decidiu abrir o próprio negócio.
Em 1995, Flávio e a esposa usaram R$ 20 mil do cheque especial, com juros de até 12% ao mês, para montar a primeira escola da Wise Up. O empresário não falava inglês e concentrou-se nas vendas e na estratégia comercial, enquanto profissionais contratados cuidavam da área acadêmica.
A proposta era oferecer um curso de 18 meses para pessoas que precisavam usar o inglês no trabalho. No primeiro ano, a unidade chegou a mil alunos. Oito meses depois, foi aberta uma filial na Avenida Paulista. Em três anos, a rede tinha 24 escolas próprias e mais de mil funcionários. O sistema de franquias começou em 2000, e a marca chegou a 396 unidades antes da venda.
Em 2008, Flávio perdeu cerca de R$ 12 milhões na Bolsa de Valores durante a crise financeira. Na época, estimava seu patrimônio em R$ 15 milhões. Em 2013, vendeu a Wise Up para a Abril Educação por R$ 877 milhões.
Morando nos Estados Unidos, passou a acompanhar o filho em treinos de futebol e adquiriu o Orlando City, da Flórida. O clube foi vendido em 2021 à família Wilf por um valor estimado entre US$ 400 milhões e US$ 450 milhões.
Dois anos após a venda da Wise Up, Flávio recomprou a empresa por cerca de R$ 390 milhões. Nos dois primeiros meses, afirmou ter investido US$ 16 milhões na recuperação do negócio.
Durante a pandemia, a Wise Up tinha cerca de 400 escolas. Cem foram desativadas, e parte das demais migrou para o formato online. A base de alunos passou de aproximadamente 80 mil para 400 mil. Em janeiro de 2026, a Wiser tinha mais de 500 mil alunos, faturamento de R$ 610 milhões e EBITDA de R$ 220 milhões.
Aos 54 anos, Flávio voltou a falar em uma “última jornada”: uma liga de negócios voltada a grupos de mentoria e relacionamento. Em maio, o projeto reunia 10,3 mil clientes ativos.







