Flávio Augusto fundou a Wise Up em 1995 usando R$ 20 mil do cheque especial, quando os juros dessa linha de crédito chegavam a 12% ao mês. A escola foi criada sem que o empresário dominasse o inglês, com foco em um curso acelerado de 18 meses para profissionais que precisavam aprender o idioma rapidamente.
O dinheiro não cobria todos os custos de reforma e contratação. Augusto concentrou-se na estratégia comercial e na leitura do mercado, enquanto especialistas ficaram responsáveis pela área acadêmica. A rede cresceu até alcançar centenas de unidades.
Venda e recompra
Em 2013, a Wise Up foi vendida para a Abril Educação por R$ 877 milhões. Dois anos depois, Augusto recomprou a empresa por cerca de R$ 390 milhões. Ao reassumir o negócio, encontrou queda nos lucros e alta inadimplência, associadas a mudanças nos métodos de cobrança.
O empresário investiu US$ 16 milhões do próprio bolso e passou três anos reorganizando a operação. A empresa voltou a ser administrada diretamente por ele e foi reposicionada para recuperar a saúde financeira e a lucratividade.
Mudança para o modelo digital
A transição para o ensino online havia começado de forma gradual em 2019, mas ganhou velocidade durante a pandemia de Covid-19. Com a interrupção das aulas presenciais, Augusto orientou os franqueados a devolver imóveis e adotar o formato digital.
Cerca de cem escolas físicas foram fechadas. No mesmo período, a quantidade de alunos passou de 80 mil para 400 mil. A Wiser Educação, holding que reúne a Wise Up, atualmente atende a mais de meio milhão de alunos e registra faturamento de R$ 610 milhões.
O grupo usa o EBITDA, indicador que considera o lucro antes de juros e impostos, para acompanhar a eficiência financeira da operação.
Críticas ao ambiente de negócios
Augusto critica o chamado custo Brasil, expressão que inclui burocracia, complexidade tributária e regras trabalhistas que ele considera rígidas para as empresas. Ele compara esse cenário à segurança jurídica e à previsibilidade dos Estados Unidos, onde investiu no time de futebol Orlando City.
Apesar das críticas às dificuldades enfrentadas no país, o empresário afirma que o Brasil oferece um mercado de grande escala de consumo e oportunidades de crescimento que poucos países têm.







