Funcionários da Caixa Econômica Federal votam nesta segunda-feira (21) se aceitam a proposta mais recente do banco para o acordo coletivo e encerram a greve ou mantêm a paralisação. As assembleias virtuais serão realizadas entre 11h e 18h, com participação de bancários de todo o país.
A greve começou no dia 10 de setembro e chega ao 11º dia. O principal ponto de discordância é o financiamento do Saúde Caixa, plano de assistência médica administrado pela própria instituição e destinado a funcionários, aposentados e dependentes.
Impasse sobre o Saúde Caixa
O modelo adotado desde 2004 prevê que a Caixa arque com 70% das despesas assistenciais, enquanto os empregados respondem por 30%. Em 2017, porém, o estatuto do banco estabeleceu um limite de 6,5% da folha de pagamento e dos proventos da Fundação dos Economiários Federais (Funcef) para os gastos da instituição com o plano.
As entidades dos empregados defendem a retirada desse teto. A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) afirma que a limitação tem transferido uma parcela maior dos custos aos usuários.
A Caixa diz que o plano precisa ter sustentabilidade financeira. O banco também afirma que a participação empresarial deve considerar a capacidade de financiamento e o crescimento das despesas, além da proporção dos gastos. A instituição declarou ainda que decisões judiciais não garantem automaticamente a volta ao modelo de 70% para o banco e 30% para os empregados, pois o financiamento é definido por negociação coletiva.
As despesas do Saúde Caixa chegaram a R$ 4,39 bilhões em 2025, alta superior a 22% sobre o ano anterior. As receitas somaram R$ 3,76 bilhões, crescimento de aproximadamente 5%, e o déficit operacional foi de R$ 627,8 milhões. O custo anual por usuário passou de aproximadamente R$ 9,85 mil em 2022 para R$ 15,82 mil em 2025.
Propostas apresentadas
A primeira proposta do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028 foi apresentada em 2 de setembro, após dez rodadas de negociação iniciadas em julho. O texto mantinha o teto de 6,5% em 2026 e previa procedimentos para elevá-lo a 8% a partir de 2027, o que permitiria cerca de R$ 600 milhões adicionais no plano.
A proposta também mudava a cobrança para um modelo conforme a idade. Ela foi rejeitada nas assembleias de 3 e 4 de setembro, quando os trabalhadores aprovaram a greve. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a rejeição chegou a 90%.
Em 10 de setembro, a Caixa apresentou uma segunda proposta, com aumento imediato do limite para 8%. O texto previa contribuições de 2,3% a 4,1% para titulares ativos, 3,9% para aposentados e pensionistas e R$ 640 para dependentes. A categoria rejeitou a oferta em assembleias de 11 de setembro. Na base paulista, a rejeição foi de 68%.
A terceira proposta foi apresentada na madrugada de 17 de setembro. O teto de participação do banco subiu para 9%, e a cobrança por idade foi retirada. O pacto intergeracional foi mantido, com contribuição de 3,7% para titulares, aposentados e pensionistas.
O texto também prevê que não haverá reajuste das mensalidades em 2026 e que a Caixa assumirá o déficit do plano neste ano. A cobrança por consulta em pronto atendimento cairia de R$ 150 para R$ 120, enquanto a isenção de coparticipação para atendimentos por telemedicina seria mantida.
A Federação Nacional das Associações dos Gestores da Caixa Econômica Federal (Fenag) afirmou considerar que as melhorias apresentadas dão base para a aprovação do ACT, mas disse que a decisão caberá às assembleias da categoria.








