O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, acima das expectativas do mercado, e elevou a inflação acumulada em 12 meses de 4,24% para 4,47%. O resultado deixou o índice próximo do teto da meta, de 4,5%, e reforçou a cautela do Banco Central com a redução dos juros.
A alta não ficou concentrada em um único grupo. Os 9 grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registraram aumento de preços. A energia elétrica residencial avançou 7,42%, após recuar 6,25% em agosto, em grande parte pela devolução do efeito do bônus de Itaipu. O item contribuiu com 0,29 ponto percentual para o índice.
Transportes subiram 0,60%, influenciados pelo aumento de 9,82% nas passagens aéreas. Alimentação e bebidas tiveram alta de 0,40%, enquanto despesas pessoais avançaram 0,96%, principalmente por causa do reajuste dos cigarros.
Pressões sobre a inflação
A média dos 5 núcleos acompanhados pelo Banco Central acelerou de 0,23% para 0,34%. O índice de difusão, que mostra a proporção de itens com aumento de preços, passou de 52% para 53,7%.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, afirmou que o fim do bônus de Itaipu influenciou o índice cheio, mas que os núcleos e a difusão indicam uma pressão mais ampla que a da energia.
A inflação de serviços também aumentou, de 0,07% em agosto para 0,59% em setembro. Em 12 meses, passou de 5,50% para 6,00%, segundo Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos. Os serviços subjacentes, porém, desaceleraram de 0,50% para 0,28%.
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a surpresa ficou na intensidade e na disseminação da alta. A inflação acumulada próxima do teto da meta, segundo ele, dificulta a continuidade dos cortes de juros.
Efeito sobre a Selic
Com a Selic em 13,75%, economistas avaliam que o resultado diminui o espaço para uma aceleração dos cortes. Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, disse que o dado aumenta a possibilidade de um ciclo de redução mais lento. Ele também afirmou que as expectativas para a inflação de 2027 permanecem acima do centro da meta.
Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, destacou a combinação entre atividade mais fraca e inflação ainda elevada. A expansão do PIB foi de 1,1% no 1º trimestre e de 0,5% no 2º trimestre. Para 2027, o Banco Central projeta crescimento de 1,4%, enquanto sua projeção de inflação para o horizonte relevante continua acima da meta.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avaliou que o IPCA-15 não necessariamente encerra o ciclo de queda da Selic, mas limita a possibilidade de cortes maiores. A evolução dos serviços, dos núcleos e das expectativas deve ser observada antes de uma eventual aceleração da flexibilização.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, afirmou que o Brasil pode chegar a 2027 com crescimento baixo e inflação distante do centro da meta. Nesse cenário, as condições financeiras permanecem restritivas por mais tempo, com crédito mais caro e maior exigência de prazo, garantias e capacidade de pagamento para empresas e famílias.








