O Banco Central avaliou que as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes e que a política monetária precisa continuar restritiva. A análise consta na ata da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22).
Na semana passada, o colegiado reduziu a Selic para 13,75%, no quinto corte consecutivo. O documento não define se haverá uma nova redução, mas afirma que o ritmo do ciclo poderá ser ajustado conforme os dados de inflação e de atividade econômica.
A autoridade monetária declarou que continuará atuando com “perseverança, firmeza e serenidade” para reconduzir as projeções de inflação às metas dos próximos anos. Para o Copom, expectativas desancoradas elevam o custo do processo de desinflação para a atividade econômica.
A ata também registra que os juros altos já afetam a economia, enquanto a demanda ainda mantém a inflação pressionada. Ao mesmo tempo, o comitê identificou uma desaceleração gradual da atividade, especialmente nos segmentos mais expostos aos juros. O mercado de trabalho, porém, continua aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos.
Entre os riscos avaliados estão os choques de oferta, como a alta recente do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio. O Banco Central afirmou que acompanha possíveis efeitos secundários desses eventos e que poderá reagir caso eles se confirmem.
Riscos fiscais e projeções
A política fiscal aparece como outro fator de preocupação. Na avaliação do Banco Central, a expansão das despesas públicas, as dúvidas relacionadas à dívida e a perda de disciplina fiscal podem pressionar as taxas de mercado e tornar mais difícil a contenção da inflação.
Apesar dessas incertezas, as projeções mais recentes indicam recuo da inflação ao consumidor. No Relatório Focus mais recente, o mercado financeiro estimou inflação de 4,92% para este ano e de 4,3% em 2027.
O Copom também defendeu coordenação entre as políticas fiscal e monetária e afirmou ter “firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas”. As próximas decisões sobre a Selic, portanto, continuarão condicionadas à evolução dos indicadores econômicos.









