ALEMANHA — As montadoras alemãs querem elevar a jornada semanal de 35 para 40 horas sem aumento salarial. A proposta ocorre enquanto o setor enfrenta custos crescentes, concorrência da China, tarifas dos Estados Unidos e dificuldades na transição para veículos elétricos.
Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW anunciaram planos para reduzir a produção e as despesas. A Volkswagen pretende cortar cerca de 15% da força de trabalho global, o equivalente a 100 mil postos de trabalho, até o fim da década. A BMW informou que eliminará até 8.000 vagas, cerca de 5% de seu quadro, até o fim de 2027.
Empregos e competitividade
Fornecedoras como Bosch e ZF Friedrichshafen também anunciaram milhares de cortes de empregos diante das condições de mercado e da concorrência global. O setor automobilístico alemão elimina postos de trabalho em ritmo mais acelerado do que qualquer outro segmento industrial do país.
Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Centro de Pesquisa Automotiva, em Bochum, afirma que a indústria perde competitividade com o aumento dos custos e a transferência da produção para outros países. “Em 2018, a indústria empregava cerca de 830 mil pessoas. Atualmente, esse número está abaixo de 700 mil”, disse.
A projeção apresentada por Dudenhöffer é de que o número de trabalhadores chegue a 500 mil por volta de 2030. Para recuperar a competitividade e preservar empregos, ele defende a redução dos custos de produção e de energia, melhorias na infraestrutura logística e condições tributárias mais favoráveis.
Custo da mão de obra
Executivos do setor consideram elevados os custos trabalhistas da Alemanha em relação aos concorrentes internacionais. Um relatório da consultoria Oliver Wyman calcula que a mão de obra no país representa, em média, US$ 3.307 dólares, aproximadamente R$ 17.063, por veículo.
O valor é de US$ 769, ou R$ 3.969, no Japão, e de US$ 597, equivalente a R$ 3.081, na China. A ampliação da jornada sem reajuste salarial é defendida pelas montadoras como forma de reduzir essa diferença de custos.








