NOVA YORK E SÃO PAULO — Nubank e Revolut avançam nos planos de expansão para os Estados Unidos, onde receberam neste ano aprovação condicional para licenças bancárias. O Nubank lançou sua oferta no país neste mês; a Revolut ainda tem presença limitada e pretende ampliá-la após concluir a regulamentação como banco.
A disputa ocorre em um mercado com mais de 4 mil bancos e cooperativas de crédito, submetido a regras estaduais e federais. As duas empresas apostam que a entrada nos Estados Unidos ajudará a sustentar suas avaliações de mercado.
A Revolut é avaliada em aproximadamente US$ 115 bilhões (R$ 588,3 bilhões) e planeja abrir o capital em 2028. A empresa, sediada em Londres, tem 80 milhões de clientes em 40 países e também obteve licenças bancárias no Reino Unido e na França.
O Nubank, avaliado em US$ 67 bilhões (R$ 342,7 bilhões), soma mais de 135 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia. Fundado em 2013 como um cartão de crédito operado por aplicativo, o banco tem ações listadas nos Estados Unidos desde 2021 e mantém sua sede em São Paulo.
Estratégias para conquistar clientes
As fintechs pretendem começar por consumidores que trabalham ou estudam no exterior e por pessoas que lidam com várias moedas. A Revolut planeja oferecer contas-correntes, contas de poupança e produtos de crédito, incluindo empréstimos parcelados e cartões. Também pretende lançar contas e empréstimos empresariais e, posteriormente, avançar para o financiamento imobiliário.
O Nubank terá uma conta global, regulamentada na Suíça, que permite a clientes de 35 países enviar e gastar dinheiro no mundo todo usando stablecoins lastreadas em dólar e euro. Nos Estados Unidos, a empresa também pretende usar sua experiência em crédito ao consumidor.
A companhia pagará rendimento de 3,5% sobre o saldo das contas-correntes. O percentual subirá para 4,5% para clientes que usarem o cartão de crédito. Cristina Junqueira, CEO do Nubank nos Estados Unidos e cofundadora da empresa, afirmou que existem poucas opções de crédito para pessoas de menor renda, apesar da saturação entre consumidores de alta renda.
A Revolut tem experiência mais limitada em crédito, com testes de pequenos empréstimos e financiamentos imobiliários na Lituânia. A empresa ficará sob supervisão rigorosa dos órgãos reguladores durante um período inicial de três anos.
As duas empresas também miram o corredor de remessas de US$ 160 bilhões (R$ 818,5 bilhões) entre os Estados Unidos e a América Latina. O Nubank tem sede americana em Miami e patrocina o estádio de futebol local, rebatizado de Nu Stadium, além do Inter Miami.
O mercado americano é considerado estratégico pelas duas companhias. “Os EUA são o maior prêmio. Se você conquistar os EUA, é algo maior do que toda a Europa”, disse Nigel Morris, cofundador da Capital One e diretor da QED, investidora do Nubank.
A competição, porém, inclui bancos comunitários, grandes instituições de Wall Street e operadoras de cartões de crédito com programas de pontos. O modelo de pagamentos internacionais que ajudou a Revolut na Europa pode ser mais difícil de replicar nos Estados Unidos, onde os consumidores mantêm vínculos com as operadoras de cartão.
Para Nigel Morris, as duas empresas devem ganhar ritmo nos próximos dois ou três anos. “Elas levarão muito tempo para decifrar o código”, afirmou.








