A expectativa de manutenção da Selic em 13,75% ao ano deve preservar a preferência do investidor médio pela renda fixa, segundo avaliações de especialistas. Aplicações pós-fixadas, como CDI, Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária, continuam oferecendo retornos líquidos acima de 11% ao ano e podem chegar a 11,5%.
O cenário é diferente do observado em 19 de junho de 2024, quando o Copom interrompeu uma sequência de sete cortes e manteve a taxa em 10,50% ao ano. Na ocasião, o Ibovespa avançou de 120 mil para 133 mil pontos, uma alta de 11%, até o Banco Central voltar a elevar os juros em setembro. O dólar passou de R$ 5,44 para R$ 5,46.
Para Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, o episódio mostra que a Bolsa também reage ao ciclo global e ao preço dos ativos, e não somente aos juros brasileiros.
Efeito sobre os investimentos
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que a taxa de 13,75% cria uma barreira para ativos de risco porque o retorno das aplicações pós-fixadas se torna difícil de ignorar. A renda fixa prefixada também pode perder espaço para ganhos rápidos com a venda antecipada de títulos, já que os juros futuros permanecem travados.
Augusto Parente, especialista em investimentos da AW Capital, afirma que a Bolsa ainda pode oferecer oportunidades para investidores experientes. Na avaliação dele, a Selic elevada permite comprar ações mais descontadas antes de uma eventual queda dos juros, enquanto esperar essa redução pode limitar os ganhos.
Os fundos imobiliários também têm impactos diferentes. Fundos que investem em shoppings e galpões enfrentam a concorrência de letras de crédito do agronegócio e imobiliárias, que rendem mais de 11% ao ano, não pagam Imposto de Renda e não têm risco de vacância ou atraso de aluguel. Já os fundos de papel, que aplicam em títulos de dívida imobiliária, tendem a se beneficiar do nível dos juros.
Juros altos também atraem recursos estrangeiros de curto prazo e ajudam a conter a desvalorização do real. Belitardo observa, porém, que juros elevados nos Estados Unidos fortalecem o dólar e pressionam moedas de países em desenvolvimento. Parente diz que títulos com prazo superior a 10 anos, como o Tesouro IPCA+, ainda dependem do cenário fiscal, da inflação implícita e do ambiente externo.
Rafael Dadoorian, chefe de renda fixa da Convexa Investimentos, recomenda considerar os objetivos do investidor: renda fixa para prazos curto e médio e ativos de risco, conforme o perfil, para metas de longo prazo.








