SÃO PAULO — Ariani Castelo, autora fluminense de 27 anos, transformou os próprios livros em experiências que incluem jogos, mapas e conteúdos extras. Cada obra tem uma plataforma interativa acessada por QR code dentro dos exemplares, estratégia que, segundo ela, ajuda a formar uma comunidade de leitores.
Na Bienal do Livro de São Paulo, Castelo ocupa o primeiro lugar entre os títulos mais vendidos da Rocco com “Coração de Cristal Partido”. A quarta remessa do romance terminou na quinta-feira (10), conforme informou a editora. “O Abismo de Celina”, seu primeiro livro, aparece na sexta posição.
Fantasia juvenil
“Coração de Cristal Partido” acompanha uma menina que nasceu fraca e busca vingança em um mundo no qual a elite tem poderes extraordinários. Castelo relaciona a obra a “O Príncipe Cruel”, de Holly Black, e “Caçador sem Coração”, de Kristen Ciccarelli.
A autora afirma não se sentir pressionada a escrever cenas eróticas ou “dark romances”. Seus livros são indicados para maiores de 14 anos e não têm cenas de sexo, mas retratam violência. “Existe um público para cada livro e o público que não quer ler cenas eróticas é muito grande”, disse.
A fantasia brasileira para jovens também aparece entre os destaques da Rocco neste ano: “Ignis Lacrimosa”, de Helena Lopes, está em segundo lugar, enquanto “Kiwi e os Garotos Perdidos”, de Ana Jeckel, ocupa a terceira posição.
Da internet à Rocco
Castelo escreve desde os 8 anos e publicou sua primeira narrativa em um site de fanfics aos 14. Aos 24 anos, em 2023, tornou-se autora independente, depois de se formar em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“O Abismo de Celina” ficou por apenas 14 dias na Amazon como livro autopublicado. Duas semanas depois, uma editora da Rocco entrou em contato. A obra, que inicialmente era mais uma novela do que um romance, chegou ao top cem de livros mais vendidos da plataforma.
Esta é a segunda edição da Bienal em que Castelo aparece entre os mais vendidos da Rocco, editora também responsável por “Harry Potter”. Em 2024, “O Abismo de Celina” terminou o evento na quarta colocação.
Durante a Bienal, a autora esteve no evento todos os dias e divulgou nas redes sociais como os leitores poderiam encontrá-la fora da programação oficial. Ela também passou a ser procurada para fotos e autógrafos do lado de fora do estande.








