SÃO PAULO — Editoras registraram forte alta nas vendas durante a Bienal de São Paulo 2026, enquanto o evento terminou com recorde de público e problemas de circulação. A Rocco informou aumento de 121% na receita e vendeu, em quatro dias de Bienal, mais do que em um mês inteiro de comércio com a Leitura, maior rede de livrarias do Brasil.
A Companhia das Letras elevou as vendas em 67%, a Record em 76% e a Sextante em 82%. Autêntica e Intrínseca tiveram alta de 85%, enquanto a Globo dobrou o faturamento. Os números são comparados ao evento paulista de 2024.
A Bienal informou no domingo (13) que recebeu 760 mil visitantes, 38 mil a mais que na edição de dois anos atrás. O aumento veio acompanhado de filas longas, esperas de horas e corredores cheios. O público enfrentou dificuldades tanto para acessar estandes quanto para entrar e sair do evento.
Editoras ampliaram a ocupação dos espaços diante da quantidade de fãs, e a distribuição das casas mais populares no mapa contribuiu para concentrar o público. Como resposta, a organização abriu um pavilhão anexo e levou parte da praça de alimentação para fora da estrutura principal. O novo espaço, porém, ficava afastado e chegou a ser chamado de “secreto” por leitores que não o encontravam.
Ações para o público adulto
A programação manteve nomes conhecidos, como Lynn Painter, Raphael Montes, Paula Pimenta e Conceição Evaristo. Alice Oseman e SenLinYu apareceram entre as novidades. SenLinYu se emocionou durante a apresentação de “Alchemised”. A agenda voltada ao público adulto deixou os dias mais cheios que o normal.
O episódio mais controverso ocorreu no estande da Fruto Proibido, editora de literatura erótica. Homens fantasiados de personagens macabros sensualizaram com garotas jovens, provocando manifestações de influenciadores nas redes sociais.
A organização notificou a editora e declarou: “não compactuar com condutas ou ações inadequadas”. Não foram esclarecidos os critérios usados para definir quais ações seriam permitidas ou vetadas.
A Fruto Proibido afirmou não ter relação com o ator envolvido e colocou no estande uma placa “para maiores de 18 anos”. Outras editoras de literatura erótica reclamaram que o caso prejudicava a imagem do gênero e defenderam atitudes mais responsáveis.
O episódio expôs a dificuldade de conciliar a tradição da Bienal, voltada há décadas a crianças e adolescentes, com o crescimento de fenômenos como o “dark romance” e a presença de um público adulto. O desafio indicado para as próximas edições é acomodar a demanda crescente sem repetir os problemas de organização.








