Um aplauso recebido em 1978 na Cinemateca Francesa resume o reconhecimento internacional de Alberto Cavalcanti. Após a sessão de “Simão, o Caolho”, o público se levantou para homenagear o cineasta, que ocupava uma das últimas fileiras da sala. Cavalcanti morreu quatro anos depois, em Paris.
A Cinemateca Brasileira recupera essa trajetória com uma retrospectiva cuja primeira parte será realizada entre 24 de setembro e 3 de outubro. A programação parte do restauro dos três filmes brasileiros dirigidos por Cavalcanti e inclui obras produzidas para a Cia. Vera Cruz, além de trabalhos feitos na França e na Inglaterra. Uma segunda etapa está prevista, mas ainda não tem data definida.
Da vanguarda francesa ao documentário inglês
Formado em arquitetura em Genebra, Cavalcanti mudou-se para Paris e entrou no cinema como assistente de Marcel L’Herbier. Em 1927, dirigiu “Rien que les Heures”, filme que colocou a cidade no centro de uma abordagem poética e lhe trouxe prestígio junto à vanguarda francesa do pós-Guerra.
No início do cinema sonoro, trabalhou para a Paramount na produção de versões francesas de filmes de Hollywood. Depois, a convite de John Grierson, integrou o movimento do documentarismo inglês. Já na Inglaterra, trabalhou para Michael Balcon, produtor ligado ao início da carreira de Alfred Hitchcock, e dirigiu um dos episódios de “Dead of Night”, de 1943.
A passagem pela Vera Cruz
Após a Segunda Guerra, Franco Zampari o convidou para chefiar o estúdio da recém-criada Cia. Vera Cruz. Cavalcanti voltou ao Brasil após mais de 30 anos e participou da montagem de estúdios em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Também contratou profissionais estrangeiros para diferentes funções técnicas, com a proposta de formar trabalhadores brasileiros.
O cineasta deixou a companhia durante a preparação de “Angela”, de 1951. Na Cinematográfica Maristela, dirigiu “Simão, o Caolho”, de 1952, seu primeiro filme brasileiro. Depois, pela Kino Filmes, produziu “O Canto do Mar”, de 1953, e “Mulher de Verdade”, de 1954. A empresa fechou após os prejuízos dos filmes seguintes, e Cavalcanti voltou à Europa.
Ele também elaborou o primeiro plano de criação do INC, o Instituto Nacional de Cinema, mas entrou em conflito com Humberto Mauro, do Instituto de Cinema Educativo. Em 1955, dirigiu “O Senhor Puntila e Seu Criado Matti”, baseado em texto de Bertolt Brecht.
Após a sessão de “Mulher de Verdade” nesta sexta (26), haverá debate com Luciana Araujo, Marco Vale e Mariarosaria Fabris, mediado por Carlos Augusto Calil, dentro do programa Revisão Crítica do Cinema Brasileiro.








