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“Feito Pipa” amplia retrato do Sertão com afeto, cores e memória

Filme dirigido por Allan Deberton acompanha Gugu, menino criado pela avó, e representa o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar.

“Feito Pipa” amplia retrato do Sertão com afeto, cores e memória

“Feito Pipa”, dirigido pelo cearense Allan Deberton, representa o Brasil na disputa por uma vaga entre os indicados ao Oscar de Filme Internacional. O longa acompanha Gugu, menino de 11 anos criado pela avó materna, e apresenta o Sertão a partir de cores, afeto, música e memória, em vez de se concentrar nas imagens de seca e pobreza.

O roteirista André Araújo afirmou que a produção buscou atualizar a representação cinematográfica do Nordeste. A paisagem aparece ligada à identidade dos personagens, especialmente Gugu e Dilma, e ao modo como o menino imagina o mundo.

A pesquisadora paulista Eliana Guerra, doutoranda em História da Arte na Universidade de Salamanca, avalia que o Sertão ocupa uma posição simbólica no cinema brasileiro. Para ela, a região foi associada ao longo do tempo a temas como desigualdade, conflitos pela terra, religiosidade, violência e migrações, mas também a afetos, modos de vida e diferentes formas de existência.

Guerra define o Sertão como um “dispositivo estético e político” porque a paisagem, a luz, os sons, os corpos e os modos de viver participam da construção dos sentidos das obras. Ela também afirma que não existe uma única imagem da região no audiovisual brasileiro.

Filmagens no Ceará

As filmagens foram realizadas em Quixadá, no Sertão Central cearense. A cidade foi escolhida após uma pesquisa de locação em todo o Ceará, por atender às necessidades de paisagem e logística previstas no roteiro.

A ideia inicial da história surgiu em 2012, quando Araújo conheceu São Rafael, no interior do Rio Grande do Norte. O município foi parcialmente inundado pelas águas da barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Em períodos de estiagem, estruturas da cidade antiga reaparecem, entre elas a torre da igreja. Essa imagem inspirou a trama sobre uma cidade que ressurge e memórias que desaparecem.

O filme dialoga com outras produções que ampliaram os retratos do interior nordestino, como “O Céu de Suely” (2006), “Bacurau” (2019), “Paloma” (2022) e “Pacarrete” (2019). Também se relaciona a “Cabra Marcado para Morrer” (1984), documentário de Eduardo Coutinho filmado em parte em São Rafael.

Vínculo entre avó e neto

Na versão em inglês, o longa recebeu o título “Gugu's World”. A história mostra o menino tentando evitar que o pai, descrito como homofóbico e interpretado por Lázara Ramos, o leve para morar com ele. Gugu enfrenta essa possibilidade depois que descobre que a avó está perdendo a memória.

Para Araújo, o vínculo entre os dois é central na narrativa e mantém sua força mesmo diante do Alzheimer. O roteirista também concebeu Gugu como uma criança queer, livre para experimentar o mundo sem precisar nomear quem é.

A produção foi exibida em festivais como Berlim e Gramado. Em cartaz em Juazeiro do Norte durante uma semana, teve sessões lotadas. O professor Ribamar Bringel Filho destacou a presença da música “Time After Time”, de Cyndi Lauper, em uma cena sobre o afeto entre Dilma e Gugu.

“Feito Pipa” tenta repetir a fase recente do cinema brasileiro no Oscar, marcada por duas indicações seguidas ao prêmio de melhor filme internacional: “Ainda Estou Aqui” (2024) e “Agente Secreto” (2025). O primeiro conquistou para o Brasil a então inédita estatueta dourada.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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