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“Confuzo” usa homem-árvore para abordar exclusão e não pertencimento

Em cartaz em São Paulo, peça da companhia Dos à Deux combina teatro gestual, silêncio e elementos cênicos para tratar da perseguição a corpos marginalizados.

“Confuzo” usa homem-árvore para abordar exclusão e não pertencimento
Foto: Victor Pollak/Divulgação

A peça “Confuzo (Está Escurecendo Dentro de Mim)” acompanha um homem que sustenta uma árvore sobre a cabeça e passa a ser perseguido depois que sua presença é vista como um problema pela comunidade. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, o espetáculo da companhia Dos à Deux reflete sobre exclusão, diferenças e não pertencimento.

André Curti interpreta o personagem, que incorpora elementos dos mundos animal e vegetal. No início, ele é aceito entre os humanos. Com o tempo, porém, moradores reclamam que as folhas escondem a paisagem e fazem sombra, enquanto as raízes são associadas a problemas na tubulação. O homem se torna um pária e é alvo de uma tentativa de expulsão.

“Com esse trabalho, a gente queria falar sobre o não pertencimento e as dificuldades que existem para quem é diferente na sociedade”, afirma Curti, que divide o palco com Artur Luanda Ribeiro. Os dois também assinam a direção da montagem.

A figura do homem-árvore é relacionada a diferentes grupos marginalizados ao longo da história, como judeus na Segunda Guerra Mundial, indígenas durante a colonização e imigrantes nos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Os movimentos lentos e difíceis do personagem expressam a dor e o esgotamento de um corpo perseguido e humilhado.

Silêncio, energia e produtividade

O silêncio tem papel central na encenação, especialmente nos primeiros minutos, quando o personagem se comunica principalmente por gestos. A companhia, criada há quase três décadas, ficou conhecida pelo teatro gestual, mas incorporou a comunicação verbal pela primeira vez em “Confuzo”.

Ribeiro interpreta um personagem que pedala continuamente em uma bicicleta sobre o palco. Por meio de um mecanismo de engenharia, as pedaladas geram energia para o espetáculo. A situação é apresentada como uma referência à hiperprodutividade das sociedades contemporâneas: se o personagem parar, escurece dentro dele.

A iluminação também é tratada como parte da narrativa, e não apenas como recurso técnico. A montagem relaciona exclusão e autoritarismo ao fortalecimento de ideias de pureza racial e territorial. Para Ribeiro, a peça expressa uma reação ao retrocesso da sociedade.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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