SÃO PAULO — Dionne Warwick afirma que pretende morar na Bahia e continuar próxima da música brasileira depois de encerrar ou reduzir sua atividade nos palcos. Aos 85 anos, a cantora americana apresenta no país a turnê de despedida “Over and Out”, com show em São Paulo nesta sexta-feira.
“Primeiro eu tenho que aprender o idioma, é claro, porque onde quero morar só se fala em português. E esse lugar é a Bahia”, disse Warwick. Ela também planeja relançar sua marca de perfumes e dedicar mais tempo à empresa de design de interiores quando diminuir o ritmo de trabalho.
A relação da artista com o Brasil começou antes da atual turnê. Na década de 1990, Warwick viveu em Salvador e no Rio de Janeiro por seis anos. Nesse período, aproximou-se de nomes da música brasileira, lançou o álbum “Aquarela do Brasil”, em 1994, com participação de Chico Buarque, e cantou ao vivo com Gal Costa, de quem afirma sentir muita falta.
Há dez anos, ela gravou um dueto com Isabella Taviani e regravou “Close to You”. Mesmo distante do país, diz que continua ouvindo Ivan Lins, Alcione e Simone. A cantora também afirma que procura encontrar o maior número possível de amigos brasileiros quando vem ao país.
Último álbum de estúdio
Em paralelo à turnê, Warwick lançará “DWuets”, que deve ser seu último álbum de estúdio. O projeto reúne canções da compositora americana Diane Warren sobre esperança, amor, resiliência e conexão humana, gravadas em duetos com artistas mais jovens, entre eles Cynthia Erivo e John Legend.
A escolha dos convidados foi feita pelo produtor da cantora. “Ele senta, ouve as músicas e decide quem será o mais adequado para cantar aquilo comigo, e assim foi feito”, afirmou Warwick.
Carreira e defesa das mulheres
Ao lembrar sua trajetória, a cantora destaca a atuação na defesa dos direitos humanos e na valorização das mulheres. Em meados dos anos 1990, reuniu-se com rappers para questionar letras depreciativas sobre mulheres. Anos depois, Snoop Dogg contou que a conversa o levou a repensar sua forma de compor. O episódio aparece no documentário “Dionne Warwick: Don’t Make Me Over”, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.
O filme aborda desde o início da carreira de Warwick, quando cantava em igrejas, até sua ascensão durante a luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Ela também avalia que houve mudança na participação das mulheres na música e na política, embora considere que o avanço ainda não foi suficiente.
A turnê inclui canções associadas à parceria de Warwick com Burt Bacharach e Hal David. Entre elas estão “I Say a Little Prayer”, “I’ll Never Fall in Love Again” e “Walk On By”. Bacharach morreu há três anos, e David morreu em 2012.
Depois de São Paulo, Warwick se apresenta no Rio de Janeiro neste sábado, em Porto Alegre na próxima quarta e em Curitiba na quinta. “Será a última vez que me ouvirão cantar. E, se Deus quiser, será tão divertido quanto sempre foi”, afirmou.








