TORONTO — “Vicentina Pede Desculpas”, novo filme de Gabriel Martins, estreia no Brasil em 5 de novembro e poderá representar o país na disputa por uma vaga no Oscar de 2027. O longa também pode se tornar elegível ao prêmio caso vença a mostra Platform, do Festival de Toronto.
A produção é a primeira parceria entre a Netflix e a Filmes de Plástico, produtora de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Depois da passagem pelos cinemas, o filme chega ao streaming em 20 de novembro.
Disputa por vaga no Oscar
“Vicentina Pede Desculpas” está entre os pré-selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para ser o representante oficial do Brasil. Também integram a lista “Nosso Segredo”, “100 Dias”, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, “A Fabulosa Máquina do Tempo” e “Feito Pipa”. O escolhido será anunciado na quarta (16).
O vencedor da mostra Platform será divulgado no dia 20. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que filmes internacionais vencedores de prêmios principais em grandes festivais também poderão ser submetidos ao Oscar, além dos representantes oficiais de cada país.
A história e a protagonista
Rejane Faria interpreta Vicentina, mãe do motorista de um ônibus que cai de um viaduto, matando o condutor e quase todos os passageiros. Depois da tragédia, ela procura os familiares das vítimas para pedir desculpas. Ninguém sabe afirmar se as ações do filho foram premeditadas.
A personagem é confrontada por reações diferentes. Enquanto algumas pessoas questionam sua responsabilidade pelo acidente, outras usam os encontros para manifestar raiva. A imprensa também interfere na forma como Vicentina interpreta o próprio filho: os noticiários exibidos pela televisão em sua casa recorrem a especulações e depoimentos de pessoas próximas ao motorista.
A narrativa acompanha principalmente a solidão da personagem, apesar da presença de uma melhor amiga e da busca pelos parentes das vítimas. O filme também explora o contraste entre a maneira individual de lidar com a dor e a experiência coletiva do luto.
Estreia em Toronto
O longa integra a Platform, única mostra competitiva do festival, dedicada a produções de artistas internacionais ligados ao cinema autoral. Martins acompanhou a primeira exibição com apreensão, observando gestos e sons do público em uma sala quase lotada.
O diretor afirmou que o projeto foi inspirado em sua avó Vicentina, que morreu quando ele tinha 12 anos, além de outras experiências pessoais. “Gosto de histórias que me botam em situações sem saída”, disse Martins durante um debate no festival.
Para interpretar a protagonista, Faria passou por um processo de caracterização que incorporou manchas do rosto e reforçou imperfeições dela. Vicentina é dez anos mais velha que a atriz. A artista também relatou ter se emocionado ao ver a primeira foto de divulgação e disse que, dois anos depois, ainda reconheceu a personagem ao encontrar seu rosto no Instagram.







