A França enfrenta uma sequência de furtos em museus e igrejas, com obras de arte, moedas, joias, porcelanas e relíquias religiosas entre os itens levados. O caso mais recente ocorreu na Riviera Francesa, onde ladrões invadiram um museu e fugiram com duas pinturas de Pierre-Auguste Renoir.
A polícia chegou cinco minutos depois que o alarme disparou, às 5h48, mas os invasores deixaram outras duas pinturas no jardim. O museu funciona na casa de pedra onde Renoir viveu. Entre as obras levadas estão um retrato da atriz francesa Colonna Romano, pintado por volta de 1910, e “Jovem Mulher no Poço”, pintura a óleo de cerca de 1886.
Especialistas afirmam que as telas seriam difíceis de vender legalmente por serem conhecidas e fáceis de rastrear. Pierre Noual, advogado especializado na recuperação de obras de arte, disse que crimes desse tipo podem ser encomendados por “patrocinadores, provavelmente estrangeiros” interessados em manter peças importantes em coleções particulares.
Uma sequência de alvos
O furto aconteceu depois do assalto às joias da Coroa no Louvre, em outubro passado. Desde então, foram registrados roubos de porcelanas chinesas, cruzes huguenotes, moedas de ouro e prata, peças de joalheria art nouveau e uma camisa usada por Zinedine Zidane na Copa do Mundo.
O Museu do Presidente Jacques Chirac, em Sarran, foi invadido duas vezes na mesma semana e voltou a ser alvo no mês passado, quando a camisa de Zidane foi levada. A instituição guarda 5.000 presentes diplomáticos recebidos por Chirac durante sua Presidência, de 1995 a 2007.
Igrejas também foram atingidas. Cálices, patenas e outras relíquias sagradas estão entre os objetos roubados. Em Langres, ladrões invadiram, um dia após o assalto ao Louvre, o museu dedicado ao filósofo Denis Diderot e levaram moedas de ouro e prata.
“Está se criando uma espécie de psicose coletiva”, disse Théo Caviezel, prefeito de Langres. Duas pessoas foram presas em conexão com esse caso.
Segurança e transparência
Especialistas apontam as redes sociais, a valorização do ouro e da prata e o impacto do roubo no Louvre como fatores que favorecem novos crimes. Arthur Brand, detetive particular de arte em Amsterdã, afirmou que criminosos acompanham as notícias e podem procurar museus próximos depois de observar um grande assalto.
Um relatório da Assembleia Nacional francesa indica que, desde 2011, o número de furtos em museus oscila entre 15 e 25 por ano. O documento não abrange 2026. Para alguns especialistas, a impressão de aumento também está ligada à maior disposição das instituições de divulgar os casos.
Charlotte Chambers Farah, gerente da Art Loss Register, em Londres, disse que os museus passaram a informar mais sobre objetos roubados ou desaparecidos e a pedir ajuda a organizações e ao público. Laurence des Cars renunciou à direção do Louvre em fevereiro, em parte por causa dos questionamentos sobre o roubo na Galeria de Apolo.
Em julho, o Ministério da Cultura publicou um plano com 33 medidas propostas. Entre elas estão o mapeamento dos locais mais vulneráveis, o recrutamento de policiais especializados e o reforço da proteção de peças consideradas mais expostas.
Em Langres, o museu instalou câmeras de vigilância na área externa. A prefeitura também planeja reforçar as janelas com grades e adotar um equipamento que libera fumaça quando o alarme é acionado, reduzindo a visibilidade das rotas de fuga. Funcionários receberam treinamento para lidar com ameaças, mas Caviezel afirmou que a vulnerabilidade permanece: “Um prédio tem portas de entrada, tem janelas, tem um telhado. Portanto, é vulnerável”.








