A Academia Goncourt anunciou nesta sexta-feira (25) a retirada de “C'était ça ou mourir”, de Thélyson Orélien, da lista de candidatos ao prêmio literário francês. O escritor é acusado de usar inteligência artificial e de plagiar textos publicados no Canadá há mais de uma década.
A organização afirmou que a decisão foi tomada com base em resultados de análises feitas por pesquisadores e jornalistas. Segundo a Academia, as avaliações indicam que o romance é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial.
A entidade declarou que a medida busca preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da própria Academia, cuja função é promover e celebrar a literatura escrita por mulheres e homens.
As suspeitas contra Orélien começaram no início da semana, quando uma conta anônima no X afirmou que o livro havia sido escrito “quase inteiramente” com auxílio de inteligência artificial. A obra havia se tornado um fenômeno literário na França.
Dois dias depois, surgiram as acusações de plágio envolvendo textos publicados no Canadá. A editora Boréal, no país onde Orélien chegou em 2010, informou que suspendeu suas atividades promocionais relacionadas ao escritor.
Reações
Orélien, que também tem nacionalidade haitiana, disse que pretende se manifestar quando a situação se acalmar. O autor afirmou que há uma tentativa não apenas de atacar o livro, mas também sua voz e de silenciá-lo.
O ensaísta francês Samuel Fitoussi reconheceu nesta sexta-feira no X estar por trás da conta que iniciou as acusações. Ele disse que a iniciativa era um “projeto coletivo” e declarou temer que, após vários milênios de uma civilização baseada na escrita, a inteligência artificial provoque o desaparecimento da leitura e da escrita.
O caso provocou repercussão no mundo literário francês e levantou discussões internacionais sobre os efeitos da inteligência artificial na indústria editorial.







