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Romance de Thélyson Orélien entra no centro do debate sobre detectores de IA

Obra venceu o Prêmio Fnac, vendeu cerca de 35 mil exemplares e foi classificada como majoritariamente gerada por IA pelo Pangram.

Romance de Thélyson Orélien entra no centro do debate sobre detectores de IA
Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier

A editora Grasset condenou as acusações contra o escritor canadense nascido no Haiti Thélyson Orélien, enquanto a Boréal afirmou manter a confiança no autor. O romance C’était ça ou mourir foi apontado pelo software Pangram como majoritariamente produzido por inteligência artificial, mas não há provas conclusivas de que a ferramenta tenha sido usada na escrita da obra.

Publicado no Canadá pela Boréal em março e lançado na França pela Grasset em 19 de agosto, o primeiro romance de Orélien vendeu cerca de 35 mil exemplares. O livro foi selecionado para os principais prêmios literários franceses, entre eles o Goncourt, e venceu o Prêmio Fnac na segunda-feira (22).

A suspeita surgiu após uma conta anônima na rede X, chamada “Balance ton Claude”, divulgar análises do Pangram e afirmar que o romance teria sido escrito quase inteiramente por IA. O software classificou mais de 95% do livro como texto gerado por inteligência artificial. Em testes com textos antigos de Orélien, escritos antes da popularização da IA generativa, o sistema os identificou como integralmente humanos; trechos do romance receberam classificação de “100% IA”.

Defesa do escritor

Orélien rejeita a acusação e afirma que as repetições, imagens e construções rítmicas do livro fazem parte de sua voz literária e de sua formação como poeta. Em entrevista, declarou: “da criação e da escrita; não vejo por que eu recorreria a uma máquina.”

O escritor também relacionou a controvérsia a ataques racistas. “Desde que cheguei recentemente à França, venho sofrendo diversos ataques racistas, que não partem dos leitores, mas de pessoas de fora que buscam prejudicar”, afirmou. Ele disse estar reunindo um dossiê com seus editores na França e no Quebec.

A Grasset condenou firmemente declarações que, segundo a editora, ferem o escritor. A Boréal, de Montreal, declarou ter tomado conhecimento das alegações e disse que não as trata com leviandade. A direção afirmou que sua confiança no trabalho de Orélien permanece inabalada. O Pangram não comentou as acusações.

A controvérsia também levantou dúvidas sobre a confiabilidade de detectores de inteligência artificial em obras escritas em francês e com influências linguísticas diversas. O caso passou a integrar o debate sobre autenticidade, criação artística e o futuro da literatura na França, além de poder influenciar as discussões dos jurados dos principais prêmios do país nas próximas semanas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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