SÃO PAULO — A nova montagem de Savannah Bay É Você transforma a ausência física de Helena Ignez em parte da encenação. No palco, Djin Sganzerla contracena com imagens projetadas e a voz da mãe em uma narrativa que mistura teatro, cinema expandido e artes visuais.
Em uma das cenas, a projeção de Ignez aparece sobre o corpo de Djin. Vestida de vermelho, ela surge como Sônia Silk, prostituta interpretada no filme Copacabana Mon Amour, de 1970, dirigido por Rogério Sganzerla.
A peça-instalação está em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, de 1º a 18 de outubro, dentro de uma programação ligada à Ocupação Helena Ignez. A direção é de André Guerreiro Lopes, casado com Djin e genro de Helena.
Memórias entre teatro e cinema
Na história inspirada na obra de Marguerite Duras, Djin conduz a reconstrução das lembranças de Madeleine, uma atriz de teatro idosa, e de uma jovem que tenta descobrir a própria identidade. A narrativa combina realidade e imaginação, sem seguir uma ordem linear, enquanto sons e imagens de água ocupam os espaços da encenação.
A versão atual não refaz integralmente a montagem que estreou em 1999, durante o período de inauguração do Sesc Belenzinho. Na primeira montagem, mãe e filha permaneciam em cena; agora, Djin se relaciona principalmente com a presença cinematográfica de Ignez. A participação física da atriz ocorre em algumas sessões.
“É um cinema que acontece no teatro –e um teatro que se transforma em cinema”, afirma André Guerreiro Lopes. A presença de Ignez em projeções, vozes e aparições especiais também está relacionada à agenda da atriz, que continua em cartaz com Fim de Partida, de Samuel Beckett, ao lado de Marco Nanini, Guilherme Weber e Ary França.
Reencontro familiar
Os três participaram da primeira montagem, assim como Rogério Sganzerla, pai de Djin e marido de Helena. Djin recorda a relação cênica dos pais: “Era muito bonito ver a intimidade entre diretor e atriz. E comigo ele sempre foi um diretor amoroso”.
A remontagem também celebra a trajetória de Ignez, que atua há seis décadas no teatro e no cinema. A atriz relaciona o espetáculo à própria história e à memória de Rogério, morto em 2004. Ela também participa da Ocupação Helena Ignez, que reúne aspectos de seu percurso como atriz, diretora e roteirista.
Ignez gravou o curta Des-criação, dirigido por Lopes, e planeja para 2027 a filmagem de Dora, longa protagonizado pela atriz e dançarina Bibi Dória. Ela também segue em Fim de Partida, montagem dirigida por Rodrigo Portella, na qual interpreta Nell, confinada em um latão de lixo.








