SÃO PAULO — A exposição "Cerâmica em Curso", na Japan House, reúne 19 peças para mostrar como diferentes argilas, técnicas e formas de queima marcaram a produção ceramista japonesa ao longo do tempo. A visitação começa nesta terça-feira (6), na avenida Paulista.
O percurso inclui objetos históricos dos períodos Jōmon e Muromachi. A peça mais antiga foi moldada manualmente e recebeu marcas de cordas pressionadas sobre a argila úmida. A queima ocorreu em uma fogueira ao ar livre, com temperatura entre 600°C e 800°C.
O vaso do Período Muromachi (1336-1573) tem superfície irregular e sinais deixados pelo fogo. A peça foi produzida em um forno instalado em terreno inclinado, formato que permite a circulação do calor e das chamas de baixo para cima. Nesse período, as características rústicas passaram a ser valorizadas, enquanto as técnicas se tornaram mais sofisticadas que as do Período Jōmon.
A mostra também aborda a consolidação de Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname como polos de produção. Na década de 1950, o estudioso em porcelana Koyama Fujio (1900-1975) reuniu essas áreas sob a denominação de "seis fornos antigos".
Entre os trabalhos atuais está a escultura "O Avançar da Ferrugem" (2008), de Echizen. A obra tem uma abertura sob a superfície avermelhada. Nessa região, a argila rica em ferro é queimada em forno a lenha, produzindo tonalidade terrosa.
Em Seto, na província de Aichi, a argila tem pouco ferro e pode resultar em objetos quase brancos. Amostras das matérias-primas ficam ao lado das peças para evidenciar diferenças de cor, textura e brilho. O conjunto inclui itens decorativos e utilitários produzidos nas seis regiões, com técnicas e materiais preservados ao longo dos séculos.
A Japan House fica na av. Paulista, 52, Bela Vista, região central. O espaço funciona de terça a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. A exposição fica em cartaz de 6/10 a 30/5/2027, com entrada gratuita.








