SÃO PAULO — Maria Bethânia encerrou a primeira noite do Coala Festival, no sábado, com uma apresentação marcada pela descontração. Durante o show, a cantora fez o “L” com os dedos e gritou: “eu voto Lula presidente!”. O evento está em sua 12ª edição e ocupa o Memorial da América Latina.
A postura surpreendeu parte do público acostumado ao estilo mais rigoroso de Bethânia, conhecida por apresentações ensaiadas, intervenções com poemas e exigência de silêncio nesses momentos. Aos 80 anos, ela manteve a força vocal, mas demonstrou empolgação e alegria diante da plateia.
O repertório incluiu “Brincar de Viver”, “Olhos nos Olhos”, “Fé Cega, Faca Amolada”, “Negue”, “Olha” e “Explode Coração”. A descontração foi associada à recente temporada de shows da cantora com o irmão, Caetano Veloso, em grandes estádios.
Antes de Bethânia, Emicida se apresentou para uma plateia bastante receptiva. O cantor percorreu músicas de diferentes álbuns, com destaque para “Emicida Racional Vol. 2”, lançado no final do ano passado e dedicado a releituras da obra dos Racionais MC’s. A apresentação teve ênfase na percussão e nos backing vocals femininos, além de “A Chapa É Quente” e apropriações de obras de Sandra de Sá, Belchior e Marcos Valle.
O público também entoou gritos de apoio ao festival, realizado nos mesmos dias do segundo final de semana do Rock in Rio: “Coala é delírio/ melhor que o Rock in Rio”.
Outros shows
Zeca Veloso, sobrinho de Bethânia, abriu os shows do sábado às 13h30, diante de uma plateia ainda esvaziada. Ele apresentou músicas de seu disco solo de estreia, destacando-se pelo falsete e pela afinação.
A programação teve ainda encontros entre Cícero e Duda Beat, além de Marcos Valle e Ana Frango Elétrico. Valle tem 82 anos e Ana, 28. A dupla recebeu o entusiasmo do público durante a apresentação.
Outra novidade foi o uso do Auditório Simón Bolívar, também no complexo do Memorial da América Latina. No sábado, Rubel apresentou versões de suas canções acompanhado de orquestra. No domingo, o espaço foi reservado para Tom Zé.
O segundo dia do festival será encerrado por João Gomes e Criolo. João Gomes avança para um público mais diversificado, enquanto Criolo celebrará os 15 anos do álbum “Nó na Orelha”. O Coala 2026 termina com a apresentação do rapper.








