SÃO PAULO — Criolo encerrou a edição 2026 do Coala Festival com participação de Seu Jorge e um repertório concentrado em “Nó na Orelha”, álbum lançado em 2011. Esta foi a terceira participação do rapper no evento.
A apresentação também contou com a força de “Não Existe Amor em SP”, canção que critica a ganância da cidade e se tornou um hino do hip-hop nacional. A música transforma São Paulo em personagem de uma história de solidão e provocou uma forte reação da plateia.
Um disco entre gêneros
A maior parte do show foi dedicada ao segundo álbum de Criolo, lançado cinco anos depois de “Ainda Há Tempo”. Produzido com Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o trabalho combina hip-hop, samba, soul, reggae e bolero sem abandonar o caráter de protesto do artista.
“Grajauex”, “Freguês da Meia-Noite”, “Subiruosdoistiozin” e “Linha de Frente” fizeram parte do repertório. As canções mantêm rimas com vocabulário amplo e discurso incisivo, características apontadas como pouco frequentes em parte do rap produzido em 2026.
Criolo conduziu o show sem uma performance explosiva. Em uma postura serena, abordou desencanto e feridas sociais por meio de sua crônica do cotidiano.
Chuva, forró e vozes do festival
Antes do encerramento, Seu Jorge se apresentou sob chuva intensa. O cantor misturou músicas de diferentes discos e terminou com covers de Tim Maia. João Gomes, que tem 24 anos, comandou uma roda de forró e piseiro no início da noite.
A programação do segundo dia também reuniu Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, Duquesa, Luedji Luna e o grupo Fat Family. Tom Zé se apresentou no Auditório Simón Bolívar, no complexo do Memorial, em uma celebração ligada à sua trajetória e à cidade de São Paulo. O artista completará 90 anos no próximo dia 11 e segue cantando, compondo e fazendo shows.








