SÃO PAULO — A Polícia Civil investiga como morte suspeita o caso de Pedro Higa Felizatto, de 28 anos, que morreu no domingo (11), horas depois de participar do Zig Festival, realizado na Audio, na zona oeste de São Paulo.
A Audio e os responsáveis pela Zig e pelo festival, o jornalista Rafael Maia e o publicitário Werik Andrade, afirmaram em notas que Felizatto foi levado por um bombeiro civil ao posto médico do evento por volta de 1h40. Ele recebeu atendimento no local e foi removido em uma ambulância UTI para a Santa Casa de São Paulo, onde chegou em menos de oito minutos. A instituição informou que houve atendimento imediato e manobras de ressuscitação, mas o jovem morreu no hospital.
“Estamos colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos”, afirmaram os organizadores e a casa de shows, que também lamentaram a morte.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a morte foi confirmada pelo pai de Felizatto. De acordo com o relato, o jovem teria passado mal por causa do calor e da lotação do espaço. O festival teve apresentações de Slayyyter e Rochelle Jordan.
Relatos sobre o atendimento
O engenheiro Gilles Giovani Bezerra, de 26 anos, disse que estava no ambulatório da Audio quando Felizatto chegou, no início da madrugada de domingo, carregado por funcionários e acompanhado de uma amiga. Segundo Bezerra, o jovem estava desacordado, com a pele pálida e a boca espumando.
Bezerra relatou que uma profissional de saúde perguntou se Felizatto havia usado alguma substância. Ele respondeu que o amigo estava sóbrio havia meses e tinha se alimentado e se hidratado pouco antes de desmaiar. O jovem foi levado de ambulância para uma unidade da Santa Casa de São Paulo.
O perfil no X do portal Bunklr, do qual Felizatto era colaborador, divulgou a morte nesta terça e afirmou que ele estava sóbrio quando passou mal. Segundo uma publicação da tia da vítima, Angela Higa, o sepultamento ocorreu nesta terça, no Cemitério da Paz Morumbi, em São Paulo.
Reclamações sobre o evento
Frequentadores relataram nas redes sociais falta de ventilação, concentração de pessoas e dificuldade para deixar o espaço. Vídeos mostraram pessoas reunidas em um banheiro em frente ao palco durante o show de Slayyyter, com os vidros embaçados pelo calor.
Ruan Coelho afirmou que o festival começou por volta das 17h e que a pista do palco principal passou a encher às 22h, quando Felizatto teria chegado ao local. Segundo ele, funcionários distribuíram copos de água apenas às pessoas das primeiras filas.
Coelho também disse que ele e amigos passaram mal perto do show de Slayyyter, que começou por volta das 3h, e deixaram a pista. Em um relato publicado nas redes, afirmou: “Foi difícil sair em meio à multidão”.
Também houve relatos sobre problemas na área destinada a pessoas com deficiência, que, segundo publicações, não estaria sinalizada no mapa do evento e não teria controle de acesso adequado.
Horas antes da confirmação da morte, a página oficial da Zig publicou um comunicado em resposta às críticas e lamentou os transtornos relatados.








