A planilha de custos de Dark Horse prevê US$ 4 milhões para Jim Caviezel interpretar Jair Bolsonaro. O valor aparece dividido em duas parcelas de US$ 2 milhões, identificadas como “talento principal parte 1” e “talento principal parte 2”. O documento não informa se o pagamento foi realizado nem qual foi o custo final do filme.
A planilha integra um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades no financiamento da produção, que recebeu recursos de Daniel Vorcaro. O material foi tornado público na noite desta sexta-feira (11) por decisão do ministro André Mendonça, do STF, após Edson Fachin determinar a abertura de documentos ligados ao caso, a pedido da PGR.
Valores e questionamentos
Embora o nome de Caviezel não apareça na tabela, a expressão “talento principal” é usada para indicar o protagonista. O valor previsto equivale a cerca de R$ 20,48 milhões na cotação atual.
Documentos do Coaf apontam que ao menos US$ 12,3 milhões (R$ 63 milhões) dos US$ 24 milhões (R$ 123 milhões) solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro a Vorcaro foram pagos. A Polícia Federal registrou que os valores de Dark Horse destoam dos observados no mercado audiovisual brasileiro e afirmou que isso reforça a necessidade de investigar a destinação dos recursos e a compatibilidade econômica da operação.
O diretor Cyrus Nowrasteh contestou comparações com orçamentos de outros filmes. Ele afirmou que produções americanas costumam divulgar custos sem marketing, enquanto o valor atribuído a Dark Horse incluiria essa despesa. A planilha apresentada a Vorcaro, porém, não menciona distribuição, categoria que inclui marketing.
Cachês e bilheteria projetada
O valor previsto para Caviezel se aproxima dos US$ 4,5 milhões recebidos por Joaquin Phoenix para interpretar o Coringa. Phoenix teria recebido cerca de US$ 20 milhões pela continuação, depois que o primeiro filme ultrapassou US$ 1 bilhão nas bilheterias.
O plano de negócios de Dark Horse estima receita bruta de US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no conservador e US$ 100 milhões no otimista. O último valor é semelhante à arrecadação de Rivais, que fez US$ 96,1 milhões no mundo.
A produção também foi comparada a cinebiografias como A Dama de Ferro (US$ 14 milhões), A Rainha (US$ 15 milhões), Selma: Uma Luta pela Igualdade (US$ 20 milhões), Estrelas Além do Tempo (US$ 25 milhões), Frost/Nixon (US$ 29 milhões), Mandela: Longo Caminho para a Liberdade (US$ 35 milhões) e JFK (US$ 40 milhões).
Cobranças e divisão do orçamento
Caviezel foi citado em cobranças feitas por Flávio a Vorcaro. Em um áudio de 8 de setembro de 2025, o senador demonstrou preocupação com possíveis pagamentos pendentes ao ator e ao diretor. Em 22 de outubro, afirmou que a produção estava “no limite” e pediu aviso caso Vorcaro não pudesse fazer o aporte.
Na divisão de custos, a pós-produção representa 34,7% do orçamento; a pré-produção, 27,8%; o cachê do protagonista, 16,7%; as filmagens, 13,9%; e o desenvolvimento, 6,9%. Profissionais consultados consideraram pouco usual a parcela destinada às filmagens, que, em uma divisão mais comum, seria de 50%.








