SÃO PAULO — A sequência de chuvas fortes no Sul e no Sudeste do Brasil tem reduzido a qualidade dos gramados do Campeonato Brasileiro. As duas regiões reúnem 85% dos clubes da Série A, e a combinação de partidas frequentes com pouca recuperação aumenta o desgaste dos campos.
Quando a chuva supera a capacidade de drenagem, o solo fica encharcado, perde resistência e dificulta a oxigenação das raízes. Com isso, a grama enfraquece e a superfície fica mais sujeita ao pisoteio, à abertura de buracos, ao deslocamento de partes do gramado e a deformações durante os jogos.
“O problema ocorre quando a chuva chega mais rápido do que o sistema consegue drenar”, explicou Roberto Gomide, CEO da World Sports, especializada na construção e manutenção de gramados esportivos. Segundo ele, o solo molhado perde estabilidade e favorece danos no campo.
Impactos em estádios
O escritório da engenheira agrônoma Maristela Kuhn foi contratado pelo consórcio responsável pelo Maracanã para auxiliar na recuperação do gramado. O Consórcio Fla-Flu relacionou parte da piora às condições climáticas dos últimos meses.
Entre julho e agosto de 2026, 46% dos jogos ocorreram no mesmo dia de chuva ou nas 24 horas anteriores. No período, o volume de chuva de agosto cresceu 208% em relação ao ano anterior. O inverno mais quente também afetou a atividade fisiológica da grama, deixando o campo menos denso e mais úmido.
No Couto Pereira, o clássico entre Coritiba e Athletico-PR, pela 27ª rodada, terminou em 3 a 3 após chuva intensa em Curitiba. No jogo, o gramado ficou encharcado e o técnico Odair Hellmann criticou as condições. O Santos venceu o Cruzeiro por 2 a 1 em um campo muito úmido pelas chuvas anteriores à partida.
Medidas previstas
Entre as alternativas apontadas estão drenagem mais eficiente, gramado híbrido, aplicação de areia, controle de matéria orgânica, aeração do solo e sensores para monitorar o campo. Arena Fonte Nova, Beira-Rio e Arena do Grêmio têm drenagem a vácuo.
A CBF iniciou o Programa de Avaliação de Infraestrutura dos Estádios. A consultoria Arena concluiu estudos sobre os estádios da Série A, com relatórios previstos para apresentação aos clubes em outubro.
O Inmet registrou maior frequência de eventos extremos de chuva no Sul e no Sudeste. Em São Paulo, setembro acumulou 253,8 milímetros, o maior volume do mês desde 1943.







