A Índia desistiu de disputar a Copa do Mundo de 1950 antes mesmo de a discussão sobre jogadores descalços entrar no centro da decisão. Classificada automaticamente, a seleção avaliou que a viagem ao Brasil exigiria uma operação difícil e que o torneio ainda não tinha, para sua federação, o mesmo peso das Olimpíadas.
As outras três seleções que disputariam a única vaga asiática — Filipinas, Indonésia e Burma, hoje Myanmar — abandonaram as Eliminatórias. Com isso, a Índia garantiu a classificação sem jogar, mas anunciou depois que não participaria da competição.
A distância até o Brasil
A Fifa se ofereceu para pagar as despesas de viagem e estadia das seleções. Ainda assim, o longo deslocamento e a necessidade de cruzar os oceanos Índico e Atlântico pesaram contra a participação indiana. Também houve dúvidas na Federação Indiana de Futebol sobre se valeria a pena fazer tamanho esforço para disputar um torneio considerado “menor”.
A edição de 1950 foi a primeira Copa realizada depois da Segunda Guerra Mundial e marcou a retomada da competição, que não havia sido disputada em 1942 e 1946. O planejamento inicial previa 16 seleções, mas apenas 13 participaram. Sem a Índia, a Ásia ficou sem representante, assim como a África.
A Fifa informou à seleção indiana que não seria permitido atuar descalça. A regra, porém, não foi o fator inicial da desistência. A associação entre o veto e a ausência da Índia ganhou força por causa da campanha da equipe nas Olimpíadas de Londres-1948.
A origem da história dos pés descalços
Na primeira competição internacional da Índia, disputada menos de um ano depois da independência da Grã-Bretanha, a equipe perdeu por 2 a 1 para a França. Alguns jogadores atuaram sem calçados, enquanto outros usaram apenas meias, no estádio de Lynn Road, em Ilford, na área metropolitana de Londres.
A França confirmou a vitória com um gol de René Persillon aos 44 minutos do segundo tempo. Mesmo derrotada, a Índia chamou a atenção pelo desempenho e pela forma como jogou.
O jornalista indiano Kaushik Bandyopadhyay afirmou que a federação não reconheceu a importância da participação na Copa, apesar da garantia de que o comitê organizador arcaria com a maior parte das despesas da viagem.
O capitão indiano Sailen Manna também relatou que a Copa ainda não ocupava o principal lugar no futebol internacional. Para a seleção, as Olimpíadas eram o objetivo central. A Índia disputaria depois Helsinque-1952, Melbourne-1956, quando ficou em quarto lugar, e Roma-1960. No período, conquistou dois títulos dos Jogos Asiáticos e foi vice-campeã da Copa da Ásia em 1964.








