Renan Santos afirmou que o capitalismo reorganiza práticas e significados do cotidiano ao incorporar hábitos a novas formas de produção e consumo. A declaração foi feita neste sábado (3.out.2026), em entrevista ao podcast Iron Talks.
O candidato à Presidência pelo partido Missão citou Gilles Deleuze e Félix Guattari, que desenvolveram o conceito de “desterritorialização”. Segundo a explicação apresentada, a ideia descreve a retirada de práticas, relações ou significados de seus contextos tradicionais e sua reorganização em novas condições.
Renan também mencionou o teórico cultural marxista britânico Mark Fisher, autor de Realismo Capitalista. “É um grande autor, leio ele”, disse.
Família e transformações sociais
Na avaliação do candidato, o capitalismo deve ser examinado além da capacidade de gerar riqueza. Ele afirmou que a industrialização modificou a relação das pessoas com a família, a terra, o trabalho e os hábitos cotidianos.
Renan descreveu o sistema econômico como uma “caixa de Pandora”: responsável por produzir progresso e riqueza, mas também por transformar tradições e modos de vida. Para ele, essa mudança atingiu formas de convivência consideradas tradicionais.
“O capitalismo criou um modo de vida que destruiu o jantar em família, o afeto em família”, declarou.
O candidato relacionou ainda esse processo à emancipação feminina, citando a presença maior das mulheres no mercado de trabalho e nas universidades no pós-guerra. Ele disse que esse período inaugurou um novo modo de vida.
Como referência cultural, Renan citou On the Road, de Jack Kerouac, livro de 1957 que retrata a liberdade sexual e de costumes de jovens americanos durante uma viagem de carro pelos Estados Unidos.
Renan já declarou ser o “candidato de direita” na disputa presidencial de 2026. Ao explicar a mudança no sentido de hábitos cotidianos, afirmou que um jantar, no século 19, poderia representar um encontro de toda a família, enquanto hoje poderia significar uma pessoa olhando para a parede.








