Kylian Mbappé explicou o motivo de ter usado parcialmente uma camisa em apoio a Ceuta antes do jogo entre Real Madrid e Elche. Vini Jr. e Konaté adotaram a mesma atitude, deixando parte da mensagem escondida na altura do peito.
A peça fazia parte de uma ação de solidariedade à cidade autônoma espanhola, localizada no norte da África. O local enfrenta uma grave crise migratória, com aumento do fluxo de pessoas que tentam atravessar para o território espanhol. Desde o fim de julho, milhares de pessoas chegaram a Ceuta, e mais de 90 imigrantes morreram ao tentar entrar na região, em casos de esmagamento ou afogamento.
Em entrevista, Mbappé afirmou que os clubes decidiram incluir a camisa e que os jogadores tiveram de usá-la. Ele disse ter solidariedade com Ceuta e com as vítimas, mas explicou que também quis manifestar apoio aos imigrantes que morreram ou vivem em condições difíceis.
— Antes de ser jogador, sou humano — disse Mbappé.
Mensagem na camisa
O lema “Todos somos caballas” faz referência ao termo usado para os moradores de Ceuta. A parte posterior trazia o nome da cidade e o escudo da Espanha. O trecho coberto pelos jogadores dizia “Ceuta e seus cavaleiros do mar”.
A camisa provocou controvérsia porque também carregava uma mensagem favorável à soberania espanhola sobre Ceuta, em meio à disputa territorial com Marrocos. Mbappé negou qualquer oposição à população local e afirmou que apoia a cidade, mas queria chamar atenção para todas as pessoas que sofrem.
— Pretendo enviar uma mensagem de positividade e paz, e espero que isso se resolva rapidamente — afirmou.
A iniciativa ocorreu em partidas da sexta rodada do Campeonato Espanhol, incluindo Levante x Barcelona e Villarreal x Betis. No confronto entre Elche e Real Madrid, os atletas das duas equipes receberam as camisetas antes de entrar em campo.
Uma fonte do Real Madrid afirmou que a decisão de Mbappé, Vini Jr. e Konaté foi vista internamente como uma questão de sensibilidades pessoais, que não coincidiram com a posição institucional do clube.








