RIAD — Mísseis e drones houthis atingiram no sábado (10) o Aeroporto Internacional Rei Khalid, principal terminal da capital da Arábia Saudita. O ataque deixou ao menos 12 mortos e 309 feridos, segundo fontes médicas e diplomáticas.
A explosão ocorreu por volta das 15h, no horário local. Passageiros foram evacuados, e as operações ficaram temporariamente suspensas para avaliação dos danos e das condições de segurança. A polícia bloqueou vias próximas ao aeroporto, enquanto ambulâncias e veículos de emergência se dirigiam ao local.
Voos suspensos e vítimas
A repetição dos ataques provocou cancelamentos e desvios de voos internacionais. Kuwait Airways, Lufthansa, Air India, FlyDubai e Pakistan International Airlines interromperam suas linhas para a Arábia Saudita. Embaixadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Canadá orientaram seus cidadãos a evitar a região.
A Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita informou as nacionalidades das vítimas fatais: quatro sauditas, dois bengaleses, um americano, um egípcio, um jordaniano, um sírio, um palestino e um sudanês. O governo saudita confirmou o bombardeio e afirmou que vários feridos recebiam atendimento, sem divulgar inicialmente a extensão dos danos.
Os ataques da semana também atingiram o aeroporto de Abha, no sul do reino, onde houve mortes, feridos e danos a instalações. O preço do petróleo Brent subiu mais de 5% após os primeiros ataques.
Escalada regional
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos romperam uma aliança de uma década no fim do ano passado, após caças sauditas atingirem um carregamento de veículos militares enviado por Abu Dhabi ao Iêmen. A retirada das tropas emiradenses abriu um vácuo de poder e desarticulou o comando das forças aliadas em solo.
Uma autoridade do sul do Iêmen afirmou que “não houve uma transição adequada quando os emiradenses partiram”. Segundo o porta-voz houthi Nasruddin Amer, a Arábia Saudita provocou a escalada ao rejeitar as demandas do grupo, incluindo o fim do bloqueio que os houthis atribuem ao governo saudita.
Mohammed bin Salman pediu duas vezes ao presidente americano Donald Trump ataques preventivos contra posições houthis, mas não foi atendido. Em vez disso, os Estados Unidos enviaram representantes a Omã para negociar com o grupo e garantir a navegação de embarcações americanas no Mar Vermelho.
Após o início do conflito direto entre Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou na morte do Líder Supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, a tensão aumentou. Em julho, Teerã enviou um avião comercial para levar uma delegação houthi ao funeral de Khamenei. A Arábia Saudita respondeu com o bombardeio do aeroporto de Sanaa, e os houthis declararam o fim da trégua de quatro anos.
O grupo também estabeleceu um bloqueio naval contra navios sauditas, tomou posições no Estreito de Bab al-Mandeb e passou a atacar instalações petrolíferas e oleodutos do país.
Pressão sobre o plano econômico
Os ataques afetam o plano Vision 2030. Eventos culturais, festivais de cinema e shows musicais foram suspensos, enquanto a principal conferência financeira de Riad, prevista para o fim de outubro, passou a enfrentar pressão de executivos internacionais preocupados com a segurança.
No início de outubro, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão concordaram em ativar medidas de dissuasão coletiva por meio do Acordo de Defesa Conjunta de Meca. A França concordou em enviar recursos militares, e o Reino Unido disponibilizou aeronaves de reabastecimento.
Analistas afirmam que o apoio externo não resolve a falta de unificação do comando iemenita. As facções aliadas precisam coordenar suas estruturas e resolver divergências internas para manter ganhos no terreno.








