IRÃ — A montanha Pickaxe, que abriga um complexo nuclear subterrâneo na região central do país, registra a maior movimentação já identificada no local, segundo um relatório divulgado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) nesta quarta-feira (9).
A análise reuniu seis anos de dados obtidos por radar de abertura sintética, imagens ópticas do Sentinel-2 e imagens de altíssima resolução da Airbus, feitas em 9 de julho deste ano. O estudo também utilizou uma imagem de satélite da Satellogic registrada em 9 de agosto.
O CSIS identificou três fases de atividade nos cinco principais pontos de interesse da montanha e nas vias que os conectam. A avaliação indica uma passagem de escavações para uma provável etapa de construção interna, acompanhada de reforço externo.
“Em conjunto, essas imagens revelam uma atividade viária na Montanha Pickaxe em 2026 superior a qualquer outro momento da história do local”, afirmou o centro.
O relatório aponta aumento da construção em 2026, com elevação e reforço dos portais de acesso, pavimentação de estradas internas, reforço das áreas de entrada e nivelamento do terreno após a retirada de material das escavações.
A Pickaxe fica perto da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz e abriga dois complexos escavados em granito sólido, a cerca de 100 metros de profundidade. Natanz já foi atacada durante a atual guerra contra os Estados Unidos e Israel.
Donald Trump sinalizou que pretende ordenar um ataque ao complexo. “Notamos que há alguma atividade em Pickaxe. Aconselho o Irã a não tentar nenhuma gracinha, pois teremos de atingi-los com muita força”, disse o presidente americano na quarta-feira, durante uma convenção do Partido Republicano em Dallas.
O CSIS afirmou que sua análise não confirma nem refuta a alegação da inteligência israelense de que o Irã teria transferido centrífugas para a montanha. A continuidade das obras e a ausência de veículos ou equipamentos não ligados à construção sugerem que a instalação subterrânea ainda não está pronta para atividades de enriquecimento de urânio, caso esse seja o objetivo.
O centro também avaliou que a estrutura seria difícil de destruir, mesmo com bombas bunker-buster, como a GBU-57. Para determinar o padrão operacional do local, seria necessária uma análise mais detalhada da atividade diária. O CSIS defendeu uma solução diplomática verificável para a questão nuclear iraniana.







