O Brasil pode sofrer novas tarifas dos Estados Unidos após a aprovação de um projeto que prevê taxas de até 100% para países que comprarem petróleo, gás e derivados russos. A Câmara americana aprovou a proposta nesta quarta-feira (16), por 262 votos favoráveis e 159 contrários.
A medida ainda precisa ser sancionada pelo presidente Donald Trump. Depois disso, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, decidirá a porcentagem da sobretaxa. Greer também recomendou as tarifas aplicadas anteriormente a produtos brasileiros.
O projeto foi aprovado com o objetivo de pressionar Vladimir Putin a negociar um cessar-fogo na guerra na Ucrânia. Nesta quinta-feira (17), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a iniciativa pode dificultar os esforços diplomáticos.
“Ele se enquadra na categoria de ações hostis”, disse Peskov, acrescentando que novas sanções dos Estados Unidos complicariam a busca por uma solução de paz na Ucrânia.
Compras brasileiras
Entre janeiro e agosto de 2026, as importações brasileiras da Rússia somaram US$ 7,15 bilhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mesmo período do ano passado, o total havia sido de US$ 7,03 bilhões.
O Brasil ampliou nos últimos anos as compras de diesel russo, que ficou mais barato depois que Moscou passou a buscar mercados alternativos diante das sanções ocidentais relacionadas à guerra na Ucrânia.
Apesar do resultado acumulado, os dados do MDIC indicam queda nos meses mais recentes. O valor importado caiu de US$ 1,38 bilhão em abril para US$ 433,8 milhões em agosto.
Ataques da Ucrânia a refinarias russas elevaram o preço do diesel, levando o Brasil a procurar outros fornecedores, entre eles os Estados Unidos e a Índia. Paralelamente, o país já foi alvo de uma tarifa americana de 25% e de outra sobretaxa de 12,5%, aplicadas em julho.







