NOVA DÉLHI — A cúpula dos Brics aprovou neste sábado (12) um comunicado que critica sanções econômicas unilaterais, medidas de bloqueio contra Cuba e ações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. O documento reúne um consenso entre os 11 integrantes do bloco.
Os países condenaram medidas coercitivas consideradas contrárias ao direito internacional, incluindo sanções econômicas e secundárias. O comunicado afirma que essas medidas afetam de forma desproporcional a população mais pobre e pessoas em situação de vulnerabilidade, além de agravarem desafios ambientais e a exclusão digital.
Sobre o Oriente Médio, os integrantes expressaram “profunda preocupação com a contínua escalada das tensões” e defenderam “a máxima contenção”. Também pediram proteção para civis e infraestrutura civil, respeito à soberania e à integridade territorial dos países e preservação do comércio global, das cadeias de suprimentos e do fluxo de energia.
Cuba e o conflito no Oriente Médio
O comunicado apontou efeitos adversos das medidas de bloqueio sobre a economia cubana e o abastecimento de energia. Também criticou o embargo dos Estados Unidos à venda de petróleo para Cuba, sem citar nominalmente Donald Trump ou os Estados Unidos nesse trecho. Os Brics reafirmaram que a América Latina e o Caribe são uma “zona de paz”.
As negociações sobre o documento avançaram durante a madrugada, sob pressão diplomática dos anfitriões indianos. O Brasil participou ativamente das tratativas para incluir a situação cubana no texto.
Os líderes também demonstraram preocupação com ataques contra infraestrutura civil e instalações nucleares pacíficas submetidas às salvaguardas da agência de energia atômica da ONU. O comunicado defende a proteção da segurança nuclear durante conflitos armados.
À margem da cúpula, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse que a região “não precisa de um policial”, em referência aos Estados Unidos. Ele afirmou que o Irã não pretende iniciar nem prolongar a guerra e que a prioridade continua sendo alcançar a paz. O conflito entre Estados Unidos e Irã começou no último dia de fevereiro; depois disso, a República Islâmica bloqueou o Estreito de Ormuz.
O presidente chinês, Xi Jinping, declarou que a guerra não atende aos “interesses comuns” da comunidade internacional. Ele defendeu a cooperação entre os integrantes do Brics para contribuir para a paz e a estabilidade na região.
Reforma do Conselho de Segurança
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu maior participação dos grandes países em desenvolvimento nas decisões globais. Vladimir Putin apoiou a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para aumentar a representação da Ásia, da África e da América Latina.








