A cúpula anual de líderes dos Brics começou neste sábado (12/9), na Índia, sob tensão entre dois membros plenos: Irã e Emirados Árabes Unidos. O conflito no Oriente Médio coloca em dúvida a aprovação de uma declaração conjunta ao fim do encontro, documento que simboliza a unidade do grupo.
A crise se intensificou após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro deste ano. Em resposta a ataques no território iraniano, Teerã bombardeou instalações norte-americanas em países do Golfo Pérsico, incluindo os Emirados Árabes Unidos. Depois da escalada, o governo emiradense suspendeu por tempo indeterminado o comércio com o Irã.
Divergências entre os membros
O atrito já havia aparecido em maio, durante uma reunião preparatória de chanceleres. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã evitou discutir o conflito para “preservar a unidade e a coesão dos Brics”. Segundo ele, Khalifa Shaheen Al Marar, vice-ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, insistiu na inclusão do tema nas discussões.
Os Emirados foram acusados de apoiar Estados Unidos e Israel no conflito. O país tem bases militares norte-americanas em seu território. A diplomacia emiradense, por sua vez, acusou o Irã de realizar atentados terroristas contra o país e disse que a maior parte dos bombardeios atingiu instalações civis sem ligação com os Estados Unidos.
A reunião de chanceleres terminou sem declaração conjunta por causa de divergências sobre a guerra na Faixa de Gaza e o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz.
Expansão do bloco
Criado em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, o Brics recebeu a África do Sul em 2010. Em 2023, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã formalizaram a entrada como membros plenos. A Arábia Saudita foi convidada, mas não concluiu os procedimentos de adesão.
A Indonésia ingressou em 2025. O grupo também anunciou Nigéria, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda, Vietnã e Uzbequistão como países parceiros, com poder de decisão menor e sem direito a voto. Atualmente, o Brics tem 10 países membros e 10 parceiros.
Para o analista internacional Paulo Cesar Rebello, a cúpula pode permitir acordos sobre divergências regionais, mas a guerra entre Estados Unidos e Irã pode dificultar a publicação de uma declaração final.








