COLÔMBIA — O presidente Abelardo de la Espriella afirmou nesta segunda-feira (14/9) que seu governo realizou 17.147 prisões nos primeiros 36 dias de gestão. O balanço foi apresentado em pronunciamento à nação, no qual ele apontou o combate ao crime organizado como uma das prioridades do mandato.
Desde 7 de agosto, quando assumiu a Presidência, as forças de segurança atingiram 24 líderes das principais estruturas que o governo classifica como narcoterroristas. De acordo com o presidente, 19 foram capturados e cinco morreram em operações policiais e militares.
De la Espriella também determinou uma análise sobre pessoas privadas de liberdade em instalações militares ou delegacias. A orientação prevê a transferência de detentos que estejam nesses locais sem cumprir os requisitos legais para permanecer ali.
Operações e decisões judiciais
O presidente assumiu com a promessa de abandonar a estratégia de negociações de paz adotada pelo governo anterior, de Gustavo Petro, e ampliar as ações contra organizações armadas e criminosas. A ofensiva envolve grupos financiados pelo narcotráfico, pela mineração ilegal e pela extorsão.
Nas últimas semanas, foram realizados três ataques aéreos contra acampamentos de guerrilheiros na Amazônia e na fronteira com a Venezuela. As ações provocaram pelo menos 42 mortes, incluindo seis menores de idade. A presença de crianças e adolescentes entre as vítimas levou a Justiça colombiana a impor restrições a esse tipo de operação.
No último mês, decisões judiciais determinaram que as Forças Armadas interrompam ataques quando houver informações sobre a presença de menores nas áreas escolhidas como alvo. A Justiça também ordenou a remoção, das redes sociais, de vídeos com cadáveres de supostos criminosos mortos pelas forças de segurança e suspendeu testes de pulverização aérea de plantações de drogas.
No domingo (13/9), De la Espriella afirmou que respeita as decisões, mas pretende contestá-las. O governo ainda prepara uma proposta para classificar guerrilheiros, narcotraficantes e outras organizações criminosas como terroristas. O texto deverá ser enviado ao Congresso e prevê um marco jurídico específico para definir terrorismo e estabelecer instrumentos de combate aos grupos incluídos nessa categoria.
Durante o pronunciamento, o presidente diferenciou manifestações pacíficas de atos violentos. “O protesto pacífico exercido dentro do marco da Constituição e da lei será respeitado e garantido pelo meu governo”, afirmou. Segundo ele, ataques contra as forças de segurança e a população civil não serão tratados como manifestações.








