NOVA YORK — As guerras e os conflitos armados devem ocupar o centro dos discursos da 81ª Assembleia Geral da ONU, iniciada nesta terça-feira (22/9), em Nova York. O encontro ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas e a questionamentos sobre a capacidade do sistema multilateral de responder às crises.
As disputas no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia devem aparecer ao longo dos cinco dias de agenda. Também são esperadas referências a hostilidades na Europa, na Ásia e no Oriente Médio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre os discursos. Donald Trump, dos Estados Unidos; Volodymyr Zelensky, da Ucrânia; e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, também são esperados no evento.
Os líderes devem abordar, além dos combates, possibilidades de cessar-fogo, proteção de civis, ajuda humanitária, respeito ao direito internacional e a capacidade das instituições multilaterais de mediar conflitos. A atuação da ONU nas crises também deve ser debatida.
Conselho de Segurança
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU e reúne 193 países-membros, com um voto para cada país. As sessões regulares ocorrem entre setembro e dezembro. O tema deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. Tradicionalmente, o Brasil faz o primeiro discurso.
A discussão sobre conflitos ocorre junto a pedidos de reforma do Conselho de Segurança. O órgão pode impor sanções econômicas, estabelecer embargos e autorizar intervenções militares. Suas decisões são vinculantes para os países-membros da ONU.
Desde 1945, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia ocupam os assentos permanentes. Outros dez países têm mandatos rotativos de dois anos. Os membros permanentes podem vetar resoluções ou decisões.
Para o analista internacional Paulo Cesar Rebello, a composição reflete a ordem global posterior à Segunda Guerra Mundial e precisa ser atualizada. O secretário-geral da ONU, António Guterres, defende que a renovação comece pela inclusão de um país africano como membro permanente.
Sudão e posição de Lula
O Sudão vive uma guerra civil desde 2023, com fome e deslocamento de pessoas. Estimativas da ONU indicam que mais de 24 milhões de pessoas estão em grave insegurança alimentar e que cerca de 14 milhões deixaram suas casas por causa da disputa entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF).
Antes da agenda em Nova York, Lula assinou com representantes da Europa, do Canadá e do Quênia um manifesto em defesa do multilateralismo. O documento citou 65 conflitos armados entre Estados em 35 países em 2025 e despesas militares globais de US$ 2,9 bilhões, valor recorde.
O manifesto também defende a reforma do Conselho de Segurança. O tema deve aparecer novamente no discurso de Lula, assim como referências aos conflitos internacionais e à busca por soluções negociadas.








