NOVA YORK — Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei apresentaram posições opostas sobre Israel durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Lula acusou o governo de Benjamin Netanyahu de genocídio na Faixa de Gaza, enquanto Milei afirmou que a Argentina está alinhada com Israel e os Estados Unidos.
No discurso de terça-feira (22), Lula disse que palestinos carregarão o trauma causado pelo conflito e condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses. O presidente brasileiro também criticou sanções contra o Tribunal Penal Internacional e defendeu a relatora especial da ONU, Francesca Albanese.
Lula ainda afirmou que os assentamentos na Cisjordânia reduzem a possibilidade de uma solução de dois Estados. “Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, disse.
Na quarta-feira (23), Milei criticou o Conselho de Direitos Humanos da ONU por, segundo ele, votar contra Israel e se calar diante do terrorismo islâmico e dos genocídios de cristãos na África. O argentino declarou que seu governo escolheu se alinhar ao Ocidente, aos Estados Unidos e a Israel.
Milei também repudiou ataques do Irã contra Israel e classificou a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista. Ele citou os atentados contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires e a Associação Mutual Israelita Argentina, ocorridos em 1992 e 1994.
Na quinta-feira (24), Milei se encontrou com Netanyahu em Nova York, depois que a delegação brasileira participou de um boicote ao discurso do premiê israelense. Milei chamou Netanyahu de “amigo”. O gabinete do primeiro-ministro afirmou que os dois trataram de cooperação entre os países e da ampliação dos Acordos de Abraão na América Latina.
Milei também recebeu da Yeshiva Darchei Torah o prêmio Ohev Yisrael, por sua atuação na defesa do povo judeu e no combate ao antissemitismo.
As relações entre Lula e Israel enfrentam conflitos. Em agosto do ano passado, o governo Netanyahu afirmou que os laços diplomáticos com o Brasil estavam em nível inferior, após a não concessão do agrément ao indicado para a embaixada israelense em Brasília, Gali Dagan. Israel declarou Lula persona non grata em fevereiro de 2024, após acusações relacionadas a declarações do presidente brasileiro sobre o conflito.







