Os Estados Unidos começaram a deslocar drones MQ-9 Reaper para a Colômbia e o Equador como parte da ofensiva contra o narcotráfico e organizações criminosas na América do Sul. As aeronaves estavam na África. Ainda não foi informado quantos equipamentos serão enviados à região.
Na sexta-feira (2), o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, afirmou à Ecuador TV que dois MQ-9 já haviam sido entregues ao país e estavam em operação. A Colômbia acertou o recebimento de outros três drones e avalia comprar um quarto.
Vigilância e capacidade de ataque
O Reaper é usado pela Força Aérea dos Estados Unidos em missões de vigilância, reconhecimento e ataque. O equipamento consegue localizar alvos, acompanhar sua movimentação e, quando necessário, destruí-los. Por reunir essas funções, ficou conhecido como drone “caçador-assassino”.
Com 11 metros de comprimento e 20,1 metros de envergadura, o MQ-9 é maior que os drones normalmente usados para filmagens e vigilância. Vazio, pesa pouco mais de 2,2 toneladas. Na decolagem, pode chegar a 4,7 toneladas, incluindo combustível, equipamentos e armamentos.
O motor Honeywell tem 900 cavalos. A aeronave voa a cerca de 370 km/h em velocidade de cruzeiro, alcança aproximadamente 15,2 quilômetros de altitude e tem alcance de 1.850 quilômetros. A operação é feita à distância: o piloto fica em uma estação de controle em terra, enquanto outro militar acompanha as imagens e opera os sensores.
Câmeras e sensores infravermelhos permitem monitorar pessoas, veículos e embarcações também durante a noite. O sistema pode identificar a posição de um alvo, transmitir as informações às equipes em terra e orientar armamentos de precisão.
O drone transporta aproximadamente 1,7 tonelada de carga útil, incluindo mísseis AGM-114 Hellfire e bombas guiadas GBU-12 Paveway II e GBU-38 JDAM. Ainda não há confirmação de que os aparelhos enviados à Colômbia e ao Equador estejam autorizados a realizar ataques.
Atuação contra o narcotráfico
A principal missão prevista para os Reaper na América do Sul é vigiar áreas usadas pelo narcotráfico. Os drones poderão acompanhar suspeitos, veículos e embarcações e compartilhar imagens e coordenadas com militares e policiais que atuam em terra.
Em setembro, o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, afirmou que Washington estudava ataques terrestres contra organizações criminosas na região. As ações poderiam incluir operações contra esconderijos e instalações usadas pelos grupos.
A decisão ocorre enquanto o governo de Donald Trump coloca a defesa do Hemisfério Ocidental e o combate a organizações envolvidas com o narcotráfico entre as prioridades do Pentágono. No ano passado, os Estados Unidos deslocaram drones MQ-9, caças F-35 e uma aeronave AC-130 para o Caribe durante uma ofensiva contra embarcações apontadas como envolvidas no tráfico de drogas.
Em setembro, um drone Vector fornecido pelos Estados Unidos ajudou forças colombianas a localizar e resgatar oito pessoas sequestradas pelo ELN, na região de Catatumbo. No mesmo mês, drones americanos auxiliaram na localização e captura de Norbey Goez Sepúlveda, apontado como integrante do Clan del Golfo, na zona rural de Turbo, no departamento de Antioquia.








