O Equador e os Estados Unidos vão manter a cooperação contra o narcotráfico no Pacífico, após a interceptação e o afundamento de três embarcações associadas, segundo os dois governos, à estrutura logística dos Los Choneros. As ações ocorreram em 28 de agosto e nos dias 2 e 3 de setembro, em águas internacionais do Pacífico Oriental.
O ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, confirmou nesta sexta-feira (4) a continuidade da parceria. Ele afirmou que Quito quer evitar o uso do território e dos portos do país no envio de drogas para a América do Norte.
Embarcações e tripulantes
As embarcações foram identificadas como Los Tres Hermanos, Conquista II e OM2. De acordo com o Comando Sul dos Estados Unidos, os barcos eram usados como pontos de reabastecimento e apoio para lanchas envolvidas no narcotráfico.
Na operação mais recente, realizada na quinta-feira (3), militares americanos deixaram o navio de assalto anfíbio USS San Antonio, abordaram uma embarcação, retiraram os tripulantes e fizeram buscas antes de afundá-la. Os ocupantes foram entregues às autoridades equatorianas.
No dia anterior, fuzileiros navais e marinheiros dos Estados Unidos haviam interceptado outro barco, descrito por Washington como um posto flutuante de combustível usado pelo cartel. A primeira ação, em 28 de agosto, envolveu uma embarcação já relacionada a pessoas ou estruturas sancionadas pelo Departamento do Tesouro americano.
Nesta sexta-feira, 28 tripulantes das duas últimas embarcações chegaram ao porto de Manta sob custódia das autoridades. Familiares e proprietários contestaram a versão oficial e disseram que os homens trabalhavam com pesca.
Reimberg afirmou que as interceptações foram precedidas por investigações e rejeitou a ideia de que as forças tenham agido apenas com base em suspeitas iniciais. “Isso não é algo feito de maneira leviana”, declarou o ministro. Segundo ele, embarcações maiores podem fornecer combustível e apoio a lanchas menores carregadas de drogas, com destino ao México e aos Estados Unidos.
Cooperação regional
O governo de Daniel Noboa ampliou neste ano a cooperação militar com Washington. Em março, forças dos dois países começaram operações conjuntas dentro do Equador contra estruturas criminosas. Desde então, os Estados Unidos aumentaram a presença de pessoal e equipamentos no país, enquanto os governos passaram a coordenar também ações marítimas.
As interceptações integram a estratégia do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para coordenar ações regionais contra organizações criminosas transnacionais. O Comando Sul afirma que a estratégia busca atingir, além das cargas de drogas, as estruturas de combustível, transporte e apoio usadas em rotas marítimas de longa distância.
Os Los Choneros são classificados pelos governos americano e equatoriano como um grupo ligado ao narcoterrorismo. A organização participa de rotas de transporte de cocaína da América do Sul para a América Central, o México e os Estados Unidos.








