Mais de 145 mil crianças cidadãs americanas tiveram um dos pais detido em centros de detenção de imigração desde janeiro de 2025, segundo estimativa apresentada pela Rede Legal de Imigração Católica. O número é anterior ao aumento mais recente das operações de fiscalização.
A pesquisa ouviu 49 organizações católicas, judaicas e luteranas nos Estados Unidos. Entre elas, 39 relataram incidentes de fiscalização em tribunais, escolas ou nas proximidades de igrejas. Dezoito entidades disseram ter identificado ações em escolas, creches, serviços relacionados ou áreas próximas.
Ashley Feasley, da Iniciativa de Direito e Política de Imigração da Universidade Católica da América, apresentou os dados preliminares durante um webinar da Semana Nacional de Migração, realizado em 23 de setembro pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.
Impacto nas famílias
Dados do Censo dos EUA indicam que 18,4 milhões de crianças no país vivem com pelo menos um pai imigrante. Para Feasley, as crianças são afetadas pela perda de um familiar, pela redução da segurança financeira e pela interrupção da rotina diária.
Vinte e oito organizações, o equivalente a 58%, relataram atender clientes ou familiares próximos que haviam sido detidos por autoridades de imigração desde janeiro de 2025. O levantamento também registrou mudanças no comportamento e nas atividades diárias de pessoas atendidas, integrantes das comunidades e funcionários diante do medo ou da percepção de operações migratórias.
Noventa e oito por cento dos entrevistados afirmaram que clientes demonstraram medo de deportação, detenção ou separação familiar. Os pesquisadores disseram que a expansão da fiscalização provoca medo nas comunidades imigrantes, com efeitos mais graves sobre crianças e famílias de status misto.
Os responsáveis pelo estudo planejam divulgar um relatório formal com recomendações para formuladores de políticas e organizações de atendimento. O documento também deverá apontar práticas consideradas eficazes para ajudar as comunidades a lidar com a fiscalização.
Brendan Cahill, bispo de Joliet, Illinois, afirmou que os católicos devem continuar colaborando e apoiando imigrantes. Jenny Cachaya disse que vizinhos e paroquianos podem oferecer acompanhamento e apoio mesmo sem formação jurídica ou assistência social.








