AUSTIN — O bispo Daniel E. Garcia, da Diocese de Austin, no Texas, pediu transparência das autoridades após um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atirar em um venezuelano durante uma abordagem na cidade. Autoridades federais afirmam que o homem tentou fugir da prisão; a advogada dele contesta essa versão.
Em uma carta datada de 20 de setembro, dia do tiroteio, Garcia afirmou estar "profundamente entristecido e perturbado". Ele disse que moradores estão "vivendo em terror e medo por causa da atividade aumentada de agentes do ICE em nossas ruas".
O bispo pediu orações pelo homem baleado, pela família dele, pelos envolvidos e pela comunidade. Também solicitou que as autoridades federais, estaduais e municipais sejam transparentes e honestas sobre o que aconteceu.
Abordagem e versões conflitantes
O Departamento de Segurança Pública do Texas informou que o ICE pediu ajuda por volta das 12h50 durante uma perseguição a um Toyota Corolla azul. Antes disso, por volta das 12h45, agentes teriam abordado Wilber Rafael Garces Perez, de 28 anos, após encontrarem uma ordem de deportação associada ao nome dele durante uma verificação de placas no norte de Austin.
Segundo as autoridades federais, Garces Perez fugiu de carro depois de ser informado de que seria preso. A chefe de polícia de Austin, Lisa Davis, afirmou que a polícia municipal não participava da operação e que os disparos ocorreram antes da chegada dos policiais estaduais.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que investiga o caso com assistência do FBI. A agência disse que o homem entrou ilegalmente nos Estados Unidos, tinha uma ordem final de remoção e está em estado estável, sob custódia federal e aguardando remoção.
A advogada Kate Lincoln-Goldfinch apresentou outra versão. Ela disse que o cliente não sabia que o veículo que o atingiu lateralmente pertencia ao ICE e que os agentes dispararam após outra colisão. Também afirmou que ele entrou legalmente no país e tinha permissão de trabalho.
Garces Perez foi atingido no tronco superior, recebeu atendimento no Dell Seton Medical Center e depois foi transferido para a custódia do ICE. A advogada disse que ele está no Centro de Processamento do ICE do Sul do Texas, em Pearsall. Durante uma ligação, ele afirmou que uma bala continua perto da coluna, que não recebe cuidados médicos adequados e que dormiu no chão da instalação. "Não estou bem por causa do tiro que recebi", disse ele em espanhol.
Declarações do bispo
Em uma declaração de 22 de setembro, Garcia disse ter ouvido de clérigos e paroquianos relatos de pessoas detidas enquanto cuidavam de tarefas comuns do dia a dia. Ele afirmou que, quando trabalhadores temem ser alvos por causa da etnia ou da aparência, a comunidade deve ouvir e falar sobre essa realidade.
O bispo também disse ter dispensado pessoas com medo da obrigação de comparecer à missa dominical, medida que chamou de "passo extraordinário". Para Garcia, toda pessoa tem dignidade própria, independentemente da situação imigratória, e essa dignidade deve ser respeitada e protegida.
Ele voltou a defender uma reforma abrangente da imigração e uma política que respeite o Estado de direito e a dignidade de cada pessoa.







