NOVA YORK — Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei apresentaram posições opostas sobre Israel durante a Assembleia Geral da ONU. Lula acusou o governo israelense de genocídio na Faixa de Gaza, enquanto Milei classificou Israel como parceiro estratégico e reforçou a proximidade com o país.
Lula também defendeu a atuação do Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e criticou a perseguição à corte. O presidente brasileiro declarou apoio à relatora especial da ONU, Francesca Albanese, e afirmou que os assentamentos na Cisjordânia dificultam a criação de uma solução de dois Estados.
Segundo Lula, o trauma causado pelo conflito será carregado por gerações. Ele acusou o governo de Netanyahu de praticar genocídio contra mulheres e crianças palestinas.
Milei, por sua vez, criticou o Conselho de Direitos Humanos da ONU por votar repetidamente contra Israel enquanto, segundo ele, não reage ao terrorismo islâmico. O presidente argentino classificou a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista e mencionou atentados sofridos pela Argentina na década de 1990, atribuídos ao Irã e ao Hezbollah.
Encontro entre Milei e Netanyahu
Na quinta-feira, Netanyahu se reuniu com Milei em Nova York e chamou o argentino de “amigo”. O primeiro-ministro israelense destacou a atuação de Milei na aproximação de Israel com a América Latina.
Os dois conversaram sobre a ampliação dos Acordos de Abraão, iniciativa voltada à normalização de relações diplomáticas e à cooperação em segurança e economia entre Israel e países latino-americanos. Em Nova York, Milei também recebeu um prêmio por sua atuação na defesa do povo judeu e no combate ao antissemitismo.
Relações entre Brasil e Israel
As relações diplomáticas entre Brasil e Israel enfrentam desgaste. Desde agosto do ano passado, Israel reduziu o nível das relações após o governo Lula não autorizar a chegada do novo embaixador israelense em Brasília.
A tensão aumentou depois que Lula comparou ações militares em Gaza a práticas nazistas. Em fevereiro de 2024, Israel declarou o presidente brasileiro persona non grata. O governo de Netanyahu atualmente acusa o Brasil de manter uma posição hostil.







