O Papa Leão XIV inicia neste domingo, 27 de setembro de 2026, sua primeira viagem apostólica à França. O roteiro inclui Paris e Metz, onde o pontífice pretende apresentar uma posição de equilíbrio sobre a imigração na Europa.
Em Metz, cidade situada entre França, Alemanha e Luxemburgo, Leão XIV discursa sobre as raízes europeias da paz e da unidade. A mensagem busca estimular o diálogo em um continente fragmentado, combinando a defesa dos direitos dos migrantes com a integração social e o reconhecimento das preocupações das populações que recebem novos moradores.
A posição representa uma diferença de ênfase em relação à abordagem associada ao Papa Francisco. Leão XIV mantém a defesa dos vulneráveis, mas trata de forma mais explícita da soberania nacional. Ele afirma que cada país pode definir quem entra em seu território e como ocorre essa entrada, rejeitando a ideia de fronteiras totalmente abertas.
Ao mesmo tempo, o pontífice condena políticas de exclusão e deportações em massa sem critérios humanitários. A estratégia também busca reduzir a tensão com setores católicos conservadores e identitários que consideravam suas preocupações pouco contempladas pela Igreja.
Divisões dentro da Igreja
A imigração provoca divergências porque a doutrina católica reúne o dever de ajudar quem sofre e a responsabilidade das autoridades pela proteção do bem comum. Bispos e alas progressistas tendem a enfatizar a hospitalidade. Já leigos e clérigos preocupados com o patrimônio espiritual e cultural europeu temem que a imigração em massa desestabilize comunidades locais.
Leão XIV tenta sustentar que acolhimento, segurança, integração e coesão social podem ser avaliados conjuntamente, com prudência.
O termo remigração, antes restrito a grupos políticos marginais, passou a integrar o debate europeu. A expressão designa o retorno forçado ou incentivado de imigrantes aos países de origem. Campanhas como o “Save Europe Act” ganharam força na Alemanha e na França e pressionam instituições como a Comissão Europeia.
O papa alerta ainda para o risco de criação de “mundos paralelos” nas cidades, com imigrantes e nativos vivendo sem integração real.







