O papa Leão XIV alertou para uma contradição nas sociedades ocidentais: embora a liberdade individual seja cada vez mais valorizada, muitas pessoas têm medo de ser julgadas, de não se encaixar e de agir de acordo com seus ideais.
O pontífice fez a declaração na quarta-feira, durante um encontro com bispos de países ligados ao Movimento dos Focolares. Segundo ele, redes de família, amizade e comunidade antes estáveis estão sendo substituídas por uma fragmentação maior.
Leão afirmou que a liberdade passou a ser apresentada como autonomia absoluta, sem limites morais, naturais ou humanos. A análise, disse, foi registrada em sua encíclica Magnifica Humanitas. Para o papa, esse cenário cria um paradoxo: a ênfase na liberdade não impede que as pessoas se sintam menos livres para ser quem são.
Unidade como resposta às divisões
Durante o discurso, Leão XIV pediu um compromisso renovado com a unidade diante de situações como preconceito, racismo, intolerância religiosa e violência. Ele destacou o trabalho de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, como um testemunho do sentido e do serviço da unidade.
O papa disse que a perda de abertura ao próximo amplia a sensação de desunião e afasta as pessoas da felicidade para a qual, segundo a doutrina cristã, foram criadas. Também afirmou que a resposta às divisões não está na criação de mais comitês ou projetos, mas no retorno à unidade da Santíssima Trindade.
Leão exortou os bispos a fortalecer a vida interior com oração, celebrações atentas do Ofício e da missa e contemplação da presença da Trindade. Para ele, essa prática pode torná-los testemunhas de uma unidade capaz de construir uma paz duradoura.
O Movimento dos Focolares, também chamado Obra de Maria, foi fundado por Lubich em 1943. A organização está presente em 182 países, reúne cerca de 110.000 membros ativos e aproximadamente 2 milhões de apoiadores e adeptos.
A Santa Sé aprovou a Obra de Maria em 1962. Os Estatutos Gerais foram aprovados em 1990. O movimento também enfrentou acusações de abuso, incluindo casos de abuso sexual, espiritual e de poder detalhados em um relatório publicado em março de 2022 após uma investigação independente conduzida pela GCPS Consulting.







