Líderes religiosos do Sudão do Sul pediram o fim imediato das hostilidades e medidas urgentes para proteger civis diante do aumento de assassinatos, sequestros, deslocamentos e confrontos em várias partes do país.
A declaração foi emitida em 5 de outubro por integrantes do Conselho de Igrejas do Sudão do Sul, que reúne representantes da Conferência dos Bispos Católicos do Sudão. O grupo afirmou que o sofrimento da população chegou a um ponto em que “o silêncio não é mais uma opção”.
Os religiosos cobraram do governo, de autoridades tradicionais, de grupos armados e das comunidades o encerramento da violência e dos ataques de vingança. Também pediram segurança para estradas e corredores de transporte fluvial, além de acesso humanitário seguro e sem obstáculos às áreas afetadas.
O Conselho defendeu o fortalecimento de mecanismos locais de paz e reconciliação. Na avaliação dos líderes, as partes em conflito e as comunidades devem priorizar a contenção em vez da retaliação, o diálogo em vez do confronto e a reconciliação em vez da vingança.
Combates e deslocamentos
O Sudão do Sul registrou neste ano novos combates entre forças governamentais e grupos armados de oposição, além de violência entre comunidades e mobilização de jovens armados. Em áreas de Jonglei e Alto Nilo, a insegurança provocou deslocamentos e interrompeu operações humanitárias.
Em junho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados informou que meses de combates no leste de Jonglei haviam levado centenas de milhares de pessoas a fugir de suas casas. Em relatório de abril, o UNICEF afirmou que mais de 330 mil pessoas tinham sido deslocadas por combates contínuos e ataques aéreos até março, em sua maioria mulheres e crianças.
A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul documentou 206 incidentes de violência relacionada ao conflito que afetaram 1.388 civis entre janeiro e março. Em comunicado de imprensa de 30 de junho, a missão informou que 767 civis foram mortos, 457 ficaram feridos, 93 foram sequestrados e 71 sofreram violência sexual relacionada ao conflito.
Os líderes citaram confrontos renovados e mobilização de jovens armados nos condados de Nasir e Ulang, no estado do Alto Nilo. Também mencionaram mortes e deslocamentos em Nyirol, Uror, Ayod, Akobo, Twic East e Duk, no estado de Jonglei, e na Área Administrativa de Pibor.
A declaração apontou ainda insegurança nas proximidades de Bentiu, no estado de Unidade, e na Área Administrativa de Ruweng. Foram citadas violência entre comunidades e ataques ligados à vingança em Tonj North e Gogrial East, no estado de Warrap, e na Área Administrativa de Abyei.
Na região da Equatória, os líderes disseram que ataques e insegurança nas estradas Juba-Mundri, Juba-Torit e Juba-Bor ameaçam civis e operações humanitárias. Também relataram que partes do condado de Yei River e comunidades na Equatória Ocidental e Oriental continuam afetadas por confrontos, insegurança armada e deslocamentos.
O Conselho pediu que os sul-sudaneses rejeitem o ódio, a retaliação e a violência e trabalhem pela paz, pela reconciliação e pela proteção da população. Os líderes também expressaram esperança de que as comunidades do país possam viver em paz e dignidade.








