O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursará nesta terça-feira (22/9) na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. O secretário-geral da organização, António Guterres, será o primeiro a falar. Lula virá em seguida, antes do presidente norte-americano Donald Trump.
A fala deve abordar a defesa do multilateralismo, da soberania e da democracia. Auxiliares também esperam que o presidente trate do processo eleitoral brasileiro em meio a acusações e suspeitas de interferência estrangeira.
Tradicionalmente, o representante brasileiro abre os discursos dos chefes de Estado na ONU. Depois, fala o presidente dos Estados Unidos, país anfitrião. Esta será a 10ª participação de Lula no encontro, que reúne os 193 países-membros da organização. O discurso marcará ainda a última participação do atual mandato. O tema desta edição é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Suspeitas de interferência
Em entrevista à CNN Internacional na segunda-feira (21/9), Lula disse estar “um pouco preocupado” com a atuação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com a possibilidade de interferência nas eleições brasileiras. O presidente relacionou a preocupação à proximidade de Rubio com a família Bolsonaro.
Lula afirmou que, até o momento, existem apenas suspeitas. Ele também mencionou possíveis indícios de interferência norte-americana por meio do uso de inteligência artificial, sem apresentar mais detalhes.
O presidente disse ainda que pediu diretamente a Trump que os Estados Unidos não interferissem no processo eleitoral brasileiro. “Esse é o papel que espero de um presidente”, afirmou Lula ao relatar a resposta do norte-americano. O brasileiro voltou a dizer que Trump age como “imperador”.
Na semana passada, o governo dos EUA apresentou a negociadores brasileiros uma proposta para que pessoas classificadas como “dissidentes políticos” não fossem presas, detidas ou impedidas de disputar o pleito deste ano. A iniciativa ocorreu durante as negociações sobre o tarifaço e foi rejeitada imediatamente pelo governo Lula.
A expectativa é que Lula não cite diretamente os Estados Unidos nem qualquer chefe de Estado ao abordar o tema na ONU. A avaliação é que ele transmitirá a mensagem de forma polida e firme, em linha semelhante ao discurso do ano passado. A defesa da integridade das eleições é considerada necessária diante dos crescentes “ataques” à democracia no mundo.
Agenda em Nova York
Na segunda-feira (21/9), Lula se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani; e com o senador dos EUA Bernie Sanders. No encontro com Orsi, anunciou que o Uruguai cedeu ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina que seria enviada ao mercado chinês. Com Mamdani, conversou sobre democracia, extremismo político e políticas públicas de inclusão social.
Não havia previsão de reunião bilateral entre Lula e Trump antes da abertura da Assembleia Geral. Os dois, porém, podem conversar informalmente, como ocorreu no evento do ano passado. Em 2025, tiveram um breve encontro e, depois, realizaram reuniões e telefonemas.
Lula deve retornar ao Brasil no início da tarde desta terça-feira, logo após o discurso, marcado para 10h (horário de Brasília). Antes da abertura, a previsão é de que ele se reúna apenas com António Guterres. A viagem foi planejada para ser curta por causa do período eleitoral e de atos de campanha previstos para os dias seguintes.







