BALNEÁRIO CAMBORIÚ — São Paulo tem a maior prevalência de doenças inflamatórias intestinais entre os estados analisados, com 278 casos por 100 000 habitantes. Paraná aparece em seguida, com 251, e Santa Catarina, com 204.
Os dados fazem parte de uma análise apresentada no congresso da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O estudo foi liderado pelos médicos Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, e Paulo Kotze, da PUC do Paraná, com participação de pesquisadores da Unicamp, da USP e da Universidade de Calgary, no Canadá.
Crescimento dos diagnósticos
A pesquisa avaliou mais de 337 000 prontuários do SUS de pessoas diagnosticadas com doenças inflamatórias intestinais entre 2012 e 2025. Nesse intervalo, a prevalência passou de 30 para 158 casos por 100 000 habitantes, um aumento superior a cinco vezes.
As doenças inflamatórias intestinais incluem a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. A análise indica que a segunda avançou em ritmo mais acelerado que a doença de Crohn, comportamento que diferencia o Brasil de outros países da América Latina e ainda precisa ser investigado.
Os autores também fazem uma ressalva sobre os índices regionais: pode haver subnotificação e falta de acesso ao diagnóstico em outras partes do país. O estudo projeta que as taxas continuarão a crescer e poderão chegar ao patamar observado em países desenvolvidos, incluindo algumas nações europeias.
Sintomas e tratamento
As doenças provocam inflamação intensa no aparelho digestivo e podem causar dores abdominais, diarreia, constipação, desnutrição e perda da qualidade de vida. Segundo o professor Abel Quaresma, muitos pacientes recebem o diagnóstico ainda jovens e precisam de acompanhamento por décadas.
Cientistas associam o crescimento dos diagnósticos a mudanças no estilo de vida, especialmente na alimentação, nas últimas décadas. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e alterações na microbiota intestinal estão entre as hipóteses levantadas.
As doenças não têm cura, mas podem ser controladas com medicamentos, inclusive remédios biológicos, e mudanças na rotina orientadas por profissionais de saúde.








