Um manifesto publicado nesta quarta-feira (30) no jornal francês Le Monde acusa os Estados Unidos de tentar influenciar a eleição presidencial brasileira e afirma que o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) participa desse movimento.
Assinado por artistas, intelectuais, acadêmicos e representantes de organizações, o documento pede que veículos de comunicação, políticos, instituições europeias e entidades da sociedade civil acompanhem a votação e rejeitem o que os autores classificam como interferência estrangeira no Brasil.
Entre os signatários estão o cantor Chico Buarque, o ex-jogador Raí e os economistas Thomas Piketty, Joseph Stiglitz e Philippe Aghion. O primeiro turno está marcado para este domingo (4), com eventual segundo turno no dia 25.
A carta relaciona a disputa brasileira ao avanço da direita em outros países da América Latina e critica a atuação do governo do presidente Donald Trump. Os autores citam as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e medidas contra autoridades do país.
O manifesto afirma que Flávio esteve em Washington em maio, onde teria se reunido com Donald Trump, com o secretário de Estado Marco Rubio e com o vice-presidente J.D. Vance. Também diz que o candidato pediu supervisão internacional da eleição brasileira.
Os Estados Unidos aplicaram em julho uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, após investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Depois, foi aplicada outra tarifa de 12,5%. O governo americano justificou as medidas com questões como comércio digital, tarifas consideradas discriminatórias, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Críticas aos Bolsonaro
O documento critica o ex-presidente Jair Bolsonaro e apresenta a candidatura de Flávio como continuidade de seu projeto político. Também menciona a condenação do ex-presidente e questiona sua gestão durante a pandemia de Covid-19, além de políticas ambientais e sociais.
Os signatários criticam ainda propostas econômicas atribuídas a Flávio, como austeridade fiscal, redução do tamanho do Estado, privatizações e diminuição de impostos. Na avaliação do grupo, essas medidas poderiam aumentar a desigualdade e a pobreza.
A carta também acusa Flávio de ter colocado em dúvida a confiabilidade do sistema eleitoral antes da votação e depois negado ter questionado sua integridade. Para os autores, essa postura seria uma preparação para contestar o resultado, em caso de derrota.
O manifesto cita mudanças políticas na Argentina, no Chile, no Peru, na Colômbia e nos Estados Unidos. Segundo os signatários, uma vitória de Flávio fortaleceria movimentos de direita na região e consolidaria uma hegemonia reacionária no continente com apoio de Washington.
Ao final, os autores afirmam que “uma parte importante do futuro da democracia estará em jogo” no 4 de outubro.








