China, Estados Unidos e Argentina acompanham o primeiro turno da eleição presidencial brasileira, marcado para o próximo domingo (4). A disputa é vista por esses países como estratégica por envolver comércio, segurança regional, influência geopolítica e acesso a recursos naturais, como as reservas de terras raras.
A relação entre Brasil e China tende a manter estabilidade independentemente do resultado eleitoral. As exportações brasileiras de soja, minério de ferro e petróleo historicamente não sofrem interrupções significativas por divergências políticas. O capital chinês no país tem perfil conservador e prioriza a preservação de ativos já instalados.
O principal interesse de Pequim é garantir previsibilidade nas regras e evitar que o Brasil adote restrições tecnológicas alinhadas aos Estados Unidos.
Interesses dos Estados Unidos
O governo de Donald Trump concentra sua atenção nas reservas brasileiras de terras raras, estimadas em 21 milhões de toneladas. Os minerais são usados na fabricação de componentes de alta tecnologia e na transição energética, mas o Brasil ainda não dispõe de infraestrutura para processamento e refino.
Washington também busca ampliar a cooperação em segurança por meio da Doutrina Donroe, voltada a afastar influências externas consideradas hostis. Outra frente é o projeto Escudo das Américas, ao qual o Brasil ainda reluta em aderir.
Relação com a Argentina
A Argentina mantém dependência econômica do Brasil, apesar dos atritos políticos entre Javier Milei e a atual gestão brasileira. Uma vitória da oposição poderia facilitar a coordenação de políticas para tornar o Mercosul mais flexível e aberto a acordos bilaterais.
Um governo brasileiro alinhado ao argentino também poderia apoiar as reivindicações de Buenos Aires pelas Ilhas Malvinas em fóruns internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), além de ajudar a coordenar pressões sobre a exploração de petróleo na região.
A União Europeia acompanha o processo por causa do acordo com o Mercosul, que enfrenta fragilidades jurídicas e contestações no Tribunal de Justiça da UE. A política ambiental do próximo governo será decisiva para a manutenção das exportações com tarifa zero, que abrangem mais de 80% dos produtos brasileiros enviados ao continente europeu. Mudanças nas metas de preservação ou recuos na agenda climática poderiam fortalecer os críticos do acordo na Europa.







