A artista Mira Schendel ganhará novos projetos no exterior com a representação pela galeria Lisson, que tem sedes em Londres, Nova York, Los Angeles e Xangai. A parceria com a Gomide&Co, que já representa a artista no Brasil, busca ampliar sua presença internacional.
Schendel morreu há 38 anos e é considerada uma das artistas mais relevantes do século 20. Suíça naturalizada brasileira, ela usou letras e números em papéis translúcidos e explorou a linguagem como elemento central de sua produção.
Em 2009, a artista teve uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA. Quatro anos depois, trabalhos dela foram expostos no Tate Modern, em Londres.
A Dia Beacon, instituição nova-iorquina ligada ao minimalismo e à arte conceitual, comprou a instalação “Ondas Paradas de Probabilidade”. A obra foi apresentada por Schendel na décima edição da Bienal de São Paulo, em 1969, e é formada por milhares de linhas de náilon penduradas no teto e por um salmo do Antigo Testamento fixado à parede.
Novas exposições
A partir de 12 de outubro, a galeria Luxembourg + Co., em Londres, exibirá “Mira Schendel: In Transit”. A mostra reunirá mais de 70 obras produzidas entre as décadas de 1950 e 1980, incluindo pinturas e trabalhos sobre papel.
Em 14 de outubro, Schendel terá uma exposição individual na Frieze Masters, seção da feira Frieze dedicada a artistas já consagrados. A mostra será voltada ao uso da cor, enquanto a exposição na Luxembourg terá uma abordagem mais sombria.
Em maio do ano que vem, a Lisson exibirá obras feitas em papel em sua filial de Nova York. Entre elas estão trabalhos da série “Objetos Gráficos”, na qual letras e números parecem flutuar sobre folhas de papel de arroz.
Trajetória
Nascida em uma família judia na Suíça, Schendel migrou para a Itália, onde foi criada como católica. Para escapar do fascismo e do antissemitismo, passou por Bulgária, Áustria e a antiga Iugoslávia. Em 1949, chegou ao Brasil e fixou residência em Porto Alegre. Depois, mudou-se para São Paulo, onde viveu até o fim da vida.
Na avaliação de Alex Logsdail, presidente da Lisson, o trabalho da artista dialoga com poetas concretos que estiveram na Europa nas décadas de 1960 e 1970 e também com a arte do Leste Asiático. A galeria já representa artistas brasileiros como Hélio Oiticica, Tunga e Dalton Paula.
A representação da Lisson se soma à atuação da Gomide&Co, instituição paulistana que passou a trabalhar com Schendel em janeiro de 2025. Thiago Gomide, fundador da galeria, afirmou que a expansão era necessária para dar à artista uma presença global.








